02 novembro 2006

Você acredita na Globo???? Que pena.......





Possível resposta da Globo: A culpa é do Ibope........
Imprensa, eleições e credibilidade


Por Franzé Ribeiro

Discordo profundamente daqueles que acham que a imprensa está acima do bem e do mal, que não pode ser criticada ou questionada em suas ações. A cobertura exagerada, o enfoque desequilibrado e parcialmente dirigido tem grande poder destrutivo de reputações e imagens que, muitas vezes, precisam ser demoradamente reconstruídas. A objetividade na apreensão do real e a imparcialidade, embora teoricamente utópicos, devem continuar sendo a bússola do jornalismo. Avalio que a grande imprensa passou ao largo desses princípios durante o processo eleitoral, optando pela cobertura tendenciosa tanto na forma quanto no conteúdo.

Na semana que antecedeu o primeiro turno eleitoral, houve um massacre midiático em torno do dossiê tabajara. O jornal televisivo de maior audiência dedicou de 30% a 50% do seu tempo à cobertura do episódio, sem um mínimo de isenção. Houve uma clara parcialidade com o objetivo de gerar o 2º turno. Essa opção pôde ser verificada nos textos, nas omissões, nas entrevistas, nas imagens, na edição e no encadeamento de matérias que foram repetidas à exaustão. No dia 27/9, diante da ausência de fatos novos, a emissora chegou a veicular um resumo geral de tudo que já transmitira, repetindo esquemas e entrevistas da oposição difundidas nas edições anteriores. Havia nítida intenção de formar e consolidar opinião pela repetição da mensagem – uma característica inerente à propaganda.

As circunstâncias que nortearam a divulgação das fotos do dinheiro entraram para a história do mau jornalismo e devem ser bem discutidas pela categoria, estudantes e professores das universidades de comunicação. A imprensa, com raríssimas exceções, agarrou-se ao fato como se fosse a última oportunidade para reduzir as intenções de voto no candidato Lula. O Jornal Nacional do dia 29/9 esticou sua cobertura o mais que pôde, deixando de fora a divulgação relevante do desastre aéreo que matou 154 pessoas, na Serra do Cachimbo. O jornal Folha de S.Paulo levou para a primeira página do dia 30/9 (véspera da eleição) todo o peso de suas intenções editoriais. O tratamento dado permite a vinculação direta do candidato Lula ao dinheiro do dossiê, numa evidente intenção de influenciar o eleitor. Mas, pior ainda, foi a mídia compactuar com o delegado da PF nos seus interesses políticos em divulgar as fotos, utilizando-se de uma farsa. Um exercício de cumplicidade com a fonte que rendeu omissão da mídia e até mesmo a publicação de informações mentirosas – o que representou um estelionato jornalístico.

A imprensa tem a dimensão exata de suas ações. Sabe que tem o poder de colocar na agenda (teoria da Agenda Setting) os temas que podem desequilibrar o pleito, em favor de uma opção eleitoral. Ao expor o tema da corrupção, inflado e exageradamente tratado, a imprensa fez sua opção anti-Lula. Conseguiu levar a eleição para o segundo turno. Mas o eleitor refletiu, pesou, mediu e votou com sua consciência, elegendo quem queria – Luiz Inácio Lula da Silva. Um dos motivos pode estar num fenômeno muito recente. Com as novas tecnologias, o público está deixando de ser refém de uma única mídia. Aprendeu ou está aprendendo a buscar outras fontes.



As pesquisas, em breve, deverão registrar que a imprensa continua influenciando muito, mas perdeu credibilidade na campanha eleitoral.



Franzé Ribeiro é jornalista e especialista em Gerência de Marketing
Perfil da família Marinho


por Marcelo Salles

As Organizações Globo controlam o maior conglomerado de comunicação do Brasil. O faturamento anual de suas cem empresas chega a 2 bilhões de dólares. Além dos jornais O Globo, Extra e Diário de São Paulo, as rádios Globo e CBN e a revista Época, outras empresas do grupo são Inbasa (Indústria Brasileira de Alimentos), a seguradora Roma, o Banco Roma, a imobiliária Roma, as gravadoras Som Livre e Comercial RGE, a NET e a Sky Brasil.

Em 1911, Irineu Marinho Coelho de Barros fundou o jornal A Noite. Em 1925 lançou O Globo e, em menos de um mês, morreu de infarto. O jornal ficou com a viúva, Francisca Pisani Barros, que não permitiu que Roberto Marinho, o filho mais velho, assumisse a empresa, deixando o comando nas mãos de Euricles de Matos.

Irineu e Francisca tiveram cinco filhos Roberto, Heloísa, Ricardo, Hilda e Rogério. Em 1931, com a morte de Euricles, Roberto assume O Globo, que então não era importante. A importância seria depois alcançada pela conjugação de dois fatores a decadência do Jornal do Brasil e o surgimento da Rede Globo de Televisão.

Em 1962 constitui-se a sociedade por cotas limitadas com capital inicial de 500 milhões cruzeiros (cerca de 2,5 milhões de dólares). Estava oficialmente criada a TV Globo Ltda. Menos de um mês depois de constituída a sociedade, Roberto Marinho assinou com o grupo Time-Life dois contratos em Nova York. Antes disso, entretanto, os dólares começaram a irrigar aquela que se transformaria na maior empresa de comunicação do Brasil. No dia 16 de julho de 1962, a TV Globo recebeu do grupo Time-Life Incorporated a soma de 1,5 milhão de dólares.

Em agosto de 1965, o cidadão estadunidense Joseph Wallach veio trabalhar como "assessor técnico" da Time-Life junto à TV Globo. Segundo o escritor Roméro da Costa Machado, que trabalhou durante dez anos na Fundação Roberto Marinho, Wallach era o homem que defendia os interesses do Departamento de Estado Americano no Brasil. Rubens Amaral, diretor-geral da TV Globo, chegou a se demitir por discordar da ingerência de Joseph Wallach na empresa.

No mesmo ano foi criada uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as relações da TV Globo com o grupo Time-Life, já que o artigo 160 da Constituição, impedia a entrada de capital estrangeiro em empresas de comunicação brasileiras. Questionado pelo então deputado Djalma Marinho, relator da CPI, sobre qual banco intermediava as remessas de dólares do grupo Time-Life, a resposta de Joseph Wallach foi: "É difícil, eu sei, senhor deputado, mas prefiro não responder. O advogado me disse que não sou obrigado a dizer, falar alguma coisa que seja contra interesse da empresa."

A rigor, as denúncias eram suficientes para a cassação imediata da concessão. No entanto, o presidente da República, Costa e Silva, e o chefe da Casa Civil, Golbery do Couto e Silva, decidiram que não houve irregularidades. Perante a lei, a parceria foi dissolvida em 1969, quando a Globo já tinha a força e os dólares necessários para seguir adiante. A partir daí observou-se a escalada contínua da TV Globo, que evoluiu para a Rede Globo. Hoje, a empresa possui cerca de 20.000 funcionários, cinco estações próprias de transmissão (Rio, Belo Horizonte, São Paulo, Brasília e Pernambuco) e 118 afiliadas em todo o Brasil.

No ar pela primeira vez no dia 26 de abril de 1965, a Globo teve um salto significativo na audiência a partir da cobertura da enchente que deixou o Rio de Janeiro debaixo da água em 1966. Pouco depois, um incêndio destruiu as instalações da empresa em São Paulo. O seguro pago garantiu um bom retorno, de modo que suas instalações no Rio de Janeiro foram reestruturadas.

Durante a ditadura, a Globo sempre manteve uma relação cordial com o sistema repressor. Isso fica claro nas declarações do então ministro da Justiça, Armando Falcão, no documentário Muito Além do Cidadão Kane "O jornalista Roberto Marinho foi revolucionário de primeira hora e continuou, portanto, como revolucionário a apoiar os governos da revolução".

No mesmo documentário, Leonel Brizola acusou Roberto Marinho de ser "o Stálin das comunicações. Quem não concorda com ele, ele manda pra Sibéria. A Sibéria do gelo, a Sibéria do esquecimento". E Chico Buarque ressaltou a disposição da Globo em apoiar a ditadura "A censura proibia algumas músicas. A TV se encarregou de ser mais realista que o rei e proibiu o meu nome".

As empresas das Organizações Globo exaltaram em diversos momentos o regime de exceção. O expediente do anticomunismo foi usado várias vezes, recurso marcado na manchete do dia 1 o de abril de 1964 do O Globo "Fugiu Goulart e democracia está sendo restabelecida". Num editorial de agosto de 1961, o jornal da família Marinho refere-se a Che Guevara como "agitador internacional, representante de um governo que financia a subversão".

Sempre ao lado dos governos, a Globo foi se tornando poderosa. Muito poderosa. Tão poderosa que um dos ministros do governo Fernando Henrique perguntou, em público, numa das renegociações da dívida da empresa "Quanto vale uma empresa que diz como o brasileiro pensa ?" Ele não estava exagerando. Durante o Fórum Social Mundial, em janeiro deste ano, o assessor especial da Presidência da República, Carlos Tibúrcio, disse que o governo Lula não fazia as mudanças que precisava fazer "porque quinze dias de Jornal Nacional inviabilizam o governo nacional e internacionalmente".

Alguns casos ficaram marcados na memória do país e, em todos eles, a empresa da família Marinho desfrutou de lucros – financeiros ou políticos. No "Escândalo do Pró-Consult", Roberto Marinho instruiu seus funcionários para divulgar que Moreira Franco estava na frente de Leonel Brizola nas eleições para governador de 1982. A manipulação foi descoberta a tempo, e as equipes da Globo foram hostilizadas nas ruas. Depois, em 1984, um grande movimento toma as ruas Diretas Já. A Globo, enquanto pôde, não transmitiu, chegando ao ponto de sugerir no Jornal Nacional que as 500.000 pessoas que estavam na praça da Sé, em São Paulo, comemoravam o aniversário da cidade.

Outro exemplo marcante foi o caso da NEC do Brasil: antes das eleições indiretas de 1984, Roberto Marinho almoçou com Tancredo Neves e o fez prometer que, se eleito, nomearia Antônio Carlos Magalhães ministro das Comunicações. Tancredo é eleito, mas morre na véspera da posse e Sarney assume em seu lugar, mantém o acordo e nomeia ACM. Uma das primeiras medidas do novo ministro foi suspender as encomendas do governo com a NEC do Brasil. A empresa, que valia cerca de 380 milhões de dólares, passou a valer muito pouco, pois era basicamente sustentada por esse contrato com o governo. Então, a Globo comprou a NEC por 1 milhão de reais e ACM restabeleceu as encomendas. Automaticamente, a empresa voltou a valer o que valia antes. Um lucro de 34.200 por cento.

O último exemplo, talvez o mais famoso, foi a edição do debate entre Collor e Lula, nas eleições de 1989. Na véspera da votação, a Globo exibiu um compacto de seis minutos contendo os piores momentos de Lula e os melhores momentos de Collor, sendo que este teve um minuto e dez segundos a mais que o candidato do PT.

Hoje em dia, muita coisa mudou no gerenciamento das Organizações Globo, sobretudo após a abertura do capital da empresa. Embora os herdeiros até pouco tempo não se falassem, João Roberto segue à frente do jornal, Roberto Irineu da televisão e José Roberto do sistema de rádio. As Organizações Globo possuem, hoje, uma dívida que gira em torno de 6 bilhões de reais e não há nenhum sinal do governo de que pretenda executar a parte que cabe ao bolso dos brasileiros, já que boa parte desse montante foi contraída junto ao setor público. No entanto, isso não significa dizer que a Globo esteja enfraquecida politicamente. Prova disso foi a indicação recente do ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB-MG), num acordo costurado com José Sarney, o ex-presidente que deu noventa concessões de rádio e televisão, sendo duas para ele mesmo. Sarney é também dono da afiliada da Rede Globo no Maranhão. As medidas tomadas por Hélio Costa envolvem o abandono das pesquisas de um modelo essencialmente nacional de televisão digital e seu posicionamento contrário aos softwares livres, que economizariam 1,1 bilhão de reais por ano aos cofres públicos, segundo o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação.

Enfim, o poder que a Globo exerce hoje no Brasil talvez seja melhor compreendido a partir das palavras da psicanalista Maria Rita Kehl, em depoimento ao documentário Muito Além do Cidadão Kane: "A Globo conseguiu, melhor do que qualquer política repressiva, de proibição, de censura, alterar a consciência do brasileiro sobre sua condição".

Marcelo Salles é coordenador do www.fazendomedia.com e correspondente da Caros Amigos no Rio de Janeiro.

Fonte: Caros amigos

01 novembro 2006

LANÇAMENTO ABRIL



Dia de Finados


Abaixo-assinado jornalistas da Globo


As observações em itálico e vermelho são minhas.

Os jornalistas da Rede Globo envolvidos diretamente na cobertura do acidente entre o avião da Gol e o Legacy - e colegas que testemunharam nosso trabalho naquela noite no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, e das afiliadas da Globo em Campo Grande, Cuiabá, Belém e Manaus - encaminham este abaixo-assinado e agradecem sua publicação.

Mônica Maria Barbosa



Chefe de produção do Jornal Nacional



Com revolta, perplexidade e pesar, nós, jornalistas da Rede Globo, nos vemos no dever de denunciar a insistente tentativa de atingir nossa honra e nossa correção profissional por alguns supostos colegas nestes dias que antecedem o encerramento das eleições 2006.

Maior revolta, perplexidade e pesar quem se vê no direito de denunciar, somos nós telespectadores que se sentem manipulados e tratados como débeis mentais.

A despeito da descrição minuciosa já divulgada pela emissora do nosso esforço para apurar com precisão as primeiras informações sobre o acidente aéreo de 29 de setembro na Amazônia, o fato de não termos conseguido obter dados fundamentais para a publicação da notícia ainda naquela edição do Jornal Nacional, mas, sim, poucos minutos depois, acabou sendo utilizado para atacar nossa idoneidade com uma impostura covarde: a acusação caluniosa de que teríamos sonegado a informação sobre o acidente, no Jornal Nacional, com motivação política.

Em nome de nossa honra, queremos registrar publicamente o repúdio aos caluniadores – sejam eles movidos por paixões partidárias ou por outras razões que desconhecemos.

Foi calúnia a omissão da gravação do áudio com a voz do delegado da PF?

Tudo o que levamos ao conhecimento dos brasileiros sobre aquele acidente estava rigorosamente correto. Nenhuma informação por nós divulgada nos obrigou, depois, a desmentidos ou correções, como aconteceu com outros veículos, que divulgaram notícias incompletas ou mesmo inverídicas. Temos a convicção de que realizamos nosso trabalho com a correção e a responsabilidade que ele exige. Só havia dois caminhos a trilhar: publicar rumores não apurados, que levariam angústia a milhões de amigos e parentes de quem pudesse ter viajado naquele dia em qualquer avião da Gol, ou publicar a notícia com o grau de precisão exigido em tragédias daquela natureza. Este seria o caminho do jornalista responsável. E foi o que decidimos trilhar, poucos minutos depois do encerramento do Jornal nacional, em plantão, com informações oficiais da Agência Nacional de Aviação Civil e da empresa Gol.

Neste parágrafo gostaria que fizessem um exame de consciência e verificassem se nunca divulgaram nenhuma notícia baseada em rumores.

Nosso esforço, em nossas carreiras profissionais, na Globo e em outras empresas por que já passamos, é o mesmo de todos os que amam o jornalismo responsável: divulgar, antes dos concorrentes, a notícia que apuramos. Foram angustiantes aqueles momentos em que tentávamos, de todas as maneiras, divulgar a notícia a contento antes do “Boa Noite” do JN. É um daqueles momentos dramáticos que só quem trabalha em redação vivencia. Um momento que nossos colegas do jornal O Estado de São Paulo também devem ter experimentado. Diante da dificuldade de apuração de um caso potencialmente trágico, em local geograficamente isolado, o primeiro clichê do Estadão no sábado, 30 de setembro, fechado às 21:h00, nem mencionava o acidente. Na Folha de S.Paulo, tudo o que foi possível apurar no mesmo horário, para o primeiro clichê, se resumiu a uma nota na primeira página, cujo conteúdo era próximo daquele que divulgamos, no mesmo horário, em nosso plantão. E nada mais. É o preço de se fazer um jornalismo responsável.

Um jornalismo tão responsável como o foi com a Escola Base em São Paulo, cito apenas esse como exemplo.

O que não toleramos é que, no caso dos profissionais da Rede Globo, a nossa postura correta de cautela e busca da precisão seja transformada numa mentira covarde e desonesta de um certo grupo de detratores. Estes, sim, traidores de um compromisso ético do jornalismo – porque nos acusam sem o menor pudor, sem conhecimento nenhum de nossos procedimentos.

Mais uma vez, vocês estão subestimando a capacidade dos telespectadores, ainda agem e pensam como há anos atrás, hoje não ouvimos apenas a opinião da Globo, estamos aptos a confrontação de fontes.

Em nome de nossa honra, nós, jornalistas da Rede Globo, registramos publicamente nosso repúdio às calúnias que têm sido feitas contra nosso trabalho na cobertura das eleições 2006. Somos jornalistas compromissados com a nossa profissão. Confiamos cada um no trabalho do colega ao lado. Jamais tomaríamos parte de complôs de natureza partidária, ou de qualquer outra, que, na verdade, têm vida apenas na cabeça daqueles que, dominados pela paixão política, não se envergonham de caluniar profissionais honestos.

Honra não se impõe apenas com um abaixo-assinado, conquista-se e mais uma vez comprova-se aqui, que temos a confrontação de fontes ao ser publicado este abaixo-assinado que poderia simplesmente ser omitido. Fica este exemplo de um jornalismo aberto para os que se defendem de calúnias.

Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Belém e Manaus, 27 de outubro de 2006



Os assinantes foram omitidos devido ao espaço.



Paulo Nolasco de Andrade.