03 julho 2008

Sessão Email - Mico de Jornalistas....

Sessão troca de Email


Subject: Mico de Jornalistas no Roda Viva


01/07/08



O presidente da Azul afirmou agora no Roda Viva, Cultura, que nos EUA os problemas de infra-estrutura nos aeroportos são muito maiores nos aeroportos americanos; "Muito pior lá", disse ele. Segundo ele, debaixo de chuva os aeroportos lá param. E o jornalistas entrevistadores só faltaram vaiá-lo. Que país é esse em que jornalistas torcem para que um americano venha aqui para criticar o país. A pergunta foi feita com intenção clara, mas quebraram a cara.

Fonte: Alexandre Porto

01/07/08

Acho que uma das nossas dificuldades, sempre que queremos CRITICAR os 'jornalistas' brasileiros, é que eles SE SENTEM, sinceramente, brilhantíssimos, bem-informadíssimos, justíssimos, inteligentíssimos, 'naturalmente' 'éticos' páculas. Dado que eles SE SENTEM, sinceramente, justos e equânimes e sábios e brilhantes e certos e democráticos, é praticamente impossível fazê-los baixar a crista. Estes caras, eu acho, não são democratizáveis. Se se soma a este fascismo sincero uma insuportável empáfia paulista -- que é muito visível nos 'jornalistas' do Estadão -- começa-se a entender por que estes 'jornalistas' que se vêem cara a cara no "Roda Viva" são TÃO TOTALMENTE INSUPORTÁVEIS. É eles serem contrariados... e todos dão xchilique. Às vezes é engraçado. Às vezes é só irritante. Fato é que eu estou praticamente convencida de que estes caras não são democratizáveis.

Caia Fittipaldi


01/07/08

Como a Multidão sempre esteve longe do Poder-Pudê nas Capitanias Hereditárias, o clima neo-fascista engendra uma classe que nada tem a ver com a democracia. Isso não constitui novidade: basta ver (lembrar) como esses "formadores de opinião" atuavam antes e pós-golpe burguês/classes médias de 1964. Há exceções, claro, como a do sobrevivente Mauro Santayana, condenado ao colunismo de um matutino que quase ninguém mais lê. O colaboracionismo foi raramente denunciado, depois de 1985, porque eles ergueram logo uma barreira de intocáveis. Os bons historiadores bem fariam em pesquisar melhor esse aspecto daqueles 21 anos de vergonhas nacionais. Quem se habilita?

Arnaldo Carrilho

01/07/08



Cães de Guarda: Jornalistas e Censores, do AI-5 à Constituição de 1988

BEATRIZ KUSHNIR


Doutora em História Social, Beatriz Kushnir lança pela Boitempo, nos 40 anos do golpe de 1964, livro nascido de intensa pesquisa sobre um dos aspectos fundamentais do regime militar: sua relação com os órgãos de imprensa, da censura à colaboração. "O objetivo é iluminar um território sombrio e desconfortável: a existência de jornalistas que foram censores federais e que também foram policiais enquanto exerciam a função de jornalistas nas redações." - explica Beatriz na introdução do livro. A pesquisadora explora a formação, as bases jurídicas e as diretrizes que orientavam o trabalho da censura, baseando-se em extensa pesquisa documental além de entrevistas, inclusive com onze censores - aspecto inédito - cujo trabalho era "filtrar", na imprensa e nas artes, o que incomodasse o regime não só no campo político, como também na cultura e até no campo da moral. Outro foco do trabalho é a cumplicidade da imprensa, especialmente da Folha da Tarde - veículo onde trabalhavam vários militantes de esquerda até a época em que o jornal ficou conhecido como Diário Oficial da Oban (Operação Bandeirantes) - com o regime militar e seu aparelho repressivo: os diretores do jornal eram ao mesmo tempo funcionários da polícia, reconhecidamente. Eles mesmos confirmam em entrevistas. O livro toca num tema delicado, e indiretamente critica historiadores de renome que fazem a história da imprensa "esquecendo" o caso da FT. Cães de guarda explora os limites entre a censura, a auto-censura dos jornalistas e a complicada convivência entre governo e imprensa durante a ditadura militar.

Fonte: Grupo Beatrice

Sessão Email - Eu nunca vi...

Sessão troca de Email


Subject: "audiência pública"... com o CAIO TÚLIO COSTA?! Mas... cadê o "público"?! [risos muitos]


DO PORTAL CÂMARA DE DEPUTADOS - A semana - 30/06/2008 10h58 (aqui)

Propaganda política na internet é tema de audiência

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática promove audiência pública nesta terça-feira (1º) para discutir a regulamentação do uso da internet nas eleições municipais deste ano. O deputado Julio Semeghini (PSDB-SP), que propôs o debate, lembra que o uso da internet para divulgação de propaganda eleitoral é um fenômeno muito recente.

Por falta de legislação específica, explica o parlamentar, normas anteriores à existência da internet têm sido utilizadas para regulamentar a propaganda virtual. "Ainda que tal estratégia venha cumprindo um papel fundamental de cobrir o vácuo legal existente, o fato é que esse tipo de regulação por afinidade temática termina por gerar um ambiente de incerteza e insegurança", avalia.

O Tribunal Superior Eleitoral publicou em fevereiro uma resolução (22.718) segundo a qual a propaganda eleitoral na internet será permitida em página do candidato destinada exclusivamente à campanha eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio de Janeiro, ao interpretar a norma do TSE, permitiu que os candidatos façam propaganda eleitoral em site próprio, em seus blogs e páginas em sites de relacionamento, como o orkut.

Conforme a resolução, no primeiro turno, a página poderá ser mantida até a antevéspera da eleição, ou seja, até 3 de outubro. Candidatos e partidos políticos consideram a norma restritiva, pois não permite campanhas por diários eletrônicos (blogs), sites de vídeo, comunidades on-line ou e-mails.

Debatedores
Foram convidados para debater o assunto:
- o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ari Pargendler;
- o presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos (Abcop), Carlos Manhanelli;
- o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Fernando Neves;
- o professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer;
- o diretor-presidente do portal IG, Caio Túlio Costa.

A audiência pública será realizada no plenário 13, a partir das 14h30.

Dia 30/06/08

NÃO HÁ A MÍNIMA DÚVIDA DE QUE A PICARETAGEM É TOTAL e a ignorância engooooooooooooooorda que dá gosto.

Eu só queria que alguém me explicasse, pelamôr de Deus, O QUÊ sabem de/sobre a internet,
os seguintes 'especialistas' convidados para a tal "audiência pública"

- o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ari Pargendler;
- o presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos (Abcop), Carlos Manhanelli;
- o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Fernando Neves;
- o professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer;
- o diretor-presidente do portal IG, Caio Túlio Costa.

ME DIGAM: o que é que estes caras sabem de/sobre internet?!

Se se somar tuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuudo o que estes caras sabem de/sobre internet, não dá meio dedal.

Já o que eles NÃO SABEM de/sobre internet, aí, sim, dá pra encher duas Enciclopaedia Britannica (mêo! Eu sô do tempo da Enciclopaedia Brittanica, impressa, livro do ano e tudo! Enchia uma parede inteira do escritório do meu avô!)

Teríamos de estar lá, né-não?! É pena, mas amanhã EU NÃO POSSO IR (tenho de trabalhar de trabalho-grana, pq, se eu não trabalhar, eu não como). Primo mangiare. OK. Não há de ser nada. Vamos esperar os discursos e, depois, a gente vê o que escreve.

Caia Fittipaldi


Dia 01/07/08


RESULTADO DA AUDIÊNCIA 'pública' de hoje, "sobre Internet", na Câmara de Deputados:

Câmara pedirá ao TSE que libere propaganda eleitoral na Internet (em Portal da CD, aqui)

A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara Federal decidiu na tarde desta terça-feira (01/07) pedir ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Ayres Britto, que revogue a Resolução 22.718, medida que permite a propaganda eleitoral na internet apenas na página do candidato.

O deputado Julio Semeghini (PSDB-SP) disse que pedirá uma audiência com o ministro. Segundo ele, não haveria necessidade de se regulamentar a propaganda eleitoral na internet.

Em fevereiro, o TSE publicou uma resolução (22.718) para que a propaganda eleitoral acontecesse apenas pela internet. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), contudo, permitiu que os candidatos fizessem campanha no site, em blogs e orkut. Essa norma, até agora, vale apenas para o Rio de Janeiro.

Impressões

O presidente do iG, Caio Túlio Costa, citou sete pontos positivos para que haja propaganda política na internet: mais acesso às informações, bom para os candidatos, bom para os portais, já que não são concessões públicas, e para a rentabilidade das empresas, pois poderão vender o espaço para os sites.

Para Túlio Costa, a norma vai contra a Constituição, porque impediria uma comunicação mais ampla, via chats, blogs, emails e internet.

O presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos, Carlos Manhanelli, também foi a favor da liberação da propaganda eleitoral na internet. Segundo ele, faltaria uma oportunidade de enviar para os leitores informações via e-mail e torpedo. A internet também seria a forma mais barata de se fazer campanha eleitoral.

Com informações da Agência Câmara.

Dia 02/07/08

EU NUNCA VI DISCUSSÃO MAIS TOTALMENTE PIRADA DO QUE ESTA [risos, risos] audiência 'pública'!

O Brasil tem hoje dois grupos 'de discussão':

-- estes caras aí (que são DONOS de provedores e 'marketeiros políticos' que, portanto, querem vender espaços publicitários e quanto mais, melhor pra eles)... a pregar "liberdade para a internet";

-- e o doido do senador Azeredo, a pregar que se deve acabar com tooooooooooooda a liberdade na Internet.

Estes caras que se reuniram na "audiência pública", se estivessem pensando coisa com coisa, deveriam ter aproveitado o ensejo pra DETONAR o projeto fascinoroso do fascinoroso senador Azeredo.

Afinal... estavam numa audiência pública sobre propaganda política na Internet e 'concluíram' que, na internet, quanto mais liberdade, melhor, né-não?!.

Só que o que eles querem é, só, liberar o direito DE ELES VENDEREM PROPAGANDA NA INTERNET. E, pra eles, se a Internet for TOTALMENTE FECHADA, pelo projeto do fascinoroso senador Azeredo... NÃO MUDA NADA na "liberdade" de estes provedores venderem espaço de propaganda... na Internet.

Afinal, tá na cara: o comércio da propaganda fascista SEMPRE foi muito mais lucrativo do que qquer propaganda democrática. E assim prossegue o festival de imbecilidades que assola o país. Saudades da Tia Zulmira, sô!

Caia Fittipaldi


Fonte: Grupo Beatrice

Por que Lula é de esquerda

Por que Lula é de esquerda


Precisamos, nós da esquerda, aprender de uma vez por todas que a história não está do lado de ninguém e muito menos há tribunal com leis objetivas. O resultado da luta política depende da capacidade que teremos para mobilizar, mas não é nem um pouco secundário analisar corretamente o que está ocorrendo.

Gilson Caroni Filho

Fossem outros os tempos e esse lembrete talvez fosse totalmente desnecessário. A distorção vista nas primeiras páginas dos jornais de hoje, 1º de julho de 2008, sobre os dados da pesquisa CNI/IBOPE, é a repetição de um exaustivo exercício da imprensa brasileira. A avaliação do governo por área de atuação cai como luva para manchetes como a do Jornal do Commercio, de Pernambuco: "Inflação assusta 65% dos brasileiros". O padrão de ocultamento é acintoso.

Recriando a realidade do seu jeito e de acordo com seus interesses político-partidários, o jornalismo reafirma, de forma inequívoca, sua instrumentalidade na luta das classes dominantes. Mostra que, tal como os partidos conservadores, os jornais procuram conduzir a sociedade de acordo com seus interesses históricos. E, nesse marco, operam toda sorte de deslocamentos semânticos possíveis. Ficar atentos a critérios interpretativos da grande imprensa, ao invés de endossá-los prontamente, é o mínimo que se pede a quem se supõe dotado de consciência crítica.

Um dos exemplos mais emblemáticos de descontextualização instrumental foi uma polêmica declaração de Lula, em 2006. Em uma entrevista, concedida no primeiro dia de campanha eleitoral, o presidente afirmou: "eu nunca fui esquerdista. Quando alguns companheiros meus americanos, europeus, me chamavam de esquerdista, aqui no Brasil eu era chamado de agente da CIA pelo Partido Comunista Brasileiro e de a muleta da ditadura pelos trotskistas".

Foi o bastante para que, sem qualquer mediação analítica, os detratores tanto à esquerda como à direita decretassem que aquelas palavras confirmavam o que já se sabia. Lula e o Partido dos Trabalhadores converteram-se após as eleições de 2002, respectivamente, numa liderança demagógica e em um partido conservador. Ações e retórica não deixavam dúvida: o país foi vítima de um escandaloso estelionato eleitoral.

Deixando-se levar pelo senso comum midiático, notórios acadêmicos e militantes conhecidos viram nas palavras do presidente o sinal de que antigas bandeiras tinham sido, definitivamente, jogadas ao chão. Uma necessidade de "requalificar a base" na ânsia de se livrar do próprio passado para ingressar no campo conservador estava em andamento.

Aos refinados críticos de esquerda faltou o essencial, a busca do nexo dialético que embasa o discurso de lideranças políticas. Sem isso, por deficiência ou má-fé, embica-se na direção da crítica política miúda, do dia-a-dia, desprovida de qualquer alcance histórico efetivo. Um convite às páginas amarelas da revista Veja.

Seria de bom tom, antes de acionar as metralhadoras giratórias contra Lula, ver o que ele concebia como "esquerdismo", ainda mais que havia menção explícita a duas correntes políticas: o antigo Partidão e organizações trotskistas.

Se aceitarmos que a justificativa histórica do socialismo está balizada pela democracia, cumpre indagar, como fez Hebert de Souza, em artigo publicado nos anos no JB, nos anos 1990 quando "a esquerda fez uma crítica global da realidade brasileira sob o prisma da democracia?" A capacidade de compreensão do desenvolvimento do capitalismo periférico foi acompanhada de uma história política que tivesse na ampliação do regime democrático sua questão central? Ou, por atuar em formação social adversa, a esquerda não assimilou um caldo de cultura tão autoritário quanto o da direita que combatia?

Antes de fazer coro com quadros conservadores que reverberam os interesses da elite em conhecidas colunas, seria o caso de investigar se tivemos uma tradição, no campo da esquerda, de contemplar a democracia como valor permanente ou se a enxergamos como "momento tático" que precede à tomada do Palácio de Inverno?

Talvez seja o caso de recorrermos ao pensamento de Toggliati que sempre chamou a atenção para o perigo de compreendermos democracia progressiva " como mera tática manipuladora, a ser abandonada no momento em que fossem criadas as condições para o "grande dia" .

Quem viveu sob o tacão do centralismo burocrático ou teve contato com organizações que, até hoje, acreditam que é possível uma transformação política levada a cabo por uma minoria, sem o apoio das grandes massas, há de entender o sentido preciso do "esquerdismo" a que aludia o presidente. Pois, se a democracia é atacada por uma elite que odeia o povo concreto, sua situação não é menos frágil quando a ação é comandada por uma esquerda que ama um povo idealizado, que só existe em velhos manuais.. Em ambos os casos, as possibilidades de superação são nulas.

Ao contrário do que afirmam seus críticos, Lula mantém profunda coerência com seu discurso da época em que era liderança sindical. Em depoimento concedido, em 1984, à revista Retrato do Brasil (Editora Brasil), o então metalúrgico afirmava textualmente:

"Embora eu ache que o socialismo seja a saída para os problemas do país, e não só do país, mas de todo o mundo, há uma questão que impede que eu me aprofunde mais nessa discussão: hoje há problemas mais prementes para serem resolvidos, hoje seria necessária uma política de amplo emprego, uma política salarial, uma reforma agrária ou assentamento das pessoas na terra para ter acesso ao trabalho, uma política de habitação, uma política educacional e muitas outras coisas que são necessárias para o povo continuar brigando. Com fome é muito mais difícil(...) Mas fazer esse povo discutir o socialismo é muito difícil ainda, porque o que acontece normalmente é que quem tem as idéias prontas na cabeça tenta enfiá-las pelas goelas dos trabalhadores, quando o necessário seria fazer com que as pessoas descobrissem a necessidade de ter essa reflexão sobre o novo projeto de sociedade".

Passados 24 anos, em que momento Lula contradisse o discurso? Onde está o estelionato? Quem capitulou de fato? Atualizar reflexões não significa renúncia a princípios. Longe disso, é fundamental para incrementar a ação dentro do tempo histórico em que se pretende intervir.

As modificações moleculares da sociedade brasileira passam por mais gastos com saúde, educação e renda vitalícia. Como destaca Immanuel Wallerstein (O Declínio do Poder Americano, p.260), "isso não é apenas popular; tem utilidade na vida das pessoas. E aumenta a pressão sobre as possibilidades de acumulação contínua de capital. Estas exigências deveriam ser promovidas vigorosamente, conceitualmente em todos os lugares. Nunca são demais"

Será que não é perceptível que é contra isso que a grande imprensa luta? A afirmação de que a inflação decorre dos gastos públicos do governo não representa apenas um discurso de mercado. É um discurso anti-povo, contra a democracia. Uma sabotagem repetida diariamente em revistas, jornais e emissoras de televisão.

Precisamos, nós da esquerda, aprender de uma vez por todas que a história não está do lado de ninguém e muito menos há tribunal com leis objetivas. O resultado da luta política depende da capacidade que teremos para mobilizar, mas não é nem um pouco secundário analisar corretamente o que está ocorrendo. O que se busca é a hegemonia. Em jornais, televisões e revistas. Em cada manchete, em cada subtítulo.

Fonte: Carta Maior

Ibase faz pesquisa sobre o bolsa Família

Ibase faz pesquisa sobre o Bolsa Família


87% dos usuários do Bolsa Família afirmam gastar dinheiro do programa principalmente com comida, revela pesquisa do Ibase

Sete em cada dez beneficiários não querem receber Bolsa Família "para sempre". Com 5 mil entrevistas em todo o país, levantamento colhe opinião de população atendida.

Pesquisa inédita do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) mostra que 87% dos beneficiários do Programa Bolsa Família afirmam gastar o dinheiro recebido do Programa principalmente com alimentação, prioridade de compra seguida por material escolar (45,6%) e vestuário (37,1%). A maioria dos usuários (73,7%) relata que aumentou a quantidade de alimentos que já consumia a partir do recebimento do benefício, bem como a variedade dos alimentos adquiridos (69,8%). A pesquisa ouviu 5 mil titulares do cartão Bolsa Família em 229 municípios, em setembro e outubro de 2007, e foi precedida de uma fase qualitativa. O trabalho, entitulado "Repercussões do Programa Bolsa Família na Segurança Alimentar e Nutricional das Famílias Beneficiadas", foi financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).

Dos grupos de alimentos, os que tiveram aumento de consumo mais expressivo, na percepção dos usuários, foram açúcares (78% declararam que passaram a consumir mais deste grupo após o recebimento do benefício), arroz e cereais (76%) e leite (68%). Se o aumento do consumo da maior parte destes itens já segue tendência nacional (detectada por outras pesquisas do IBGE com a população em geral), chamou a atenção dos pesquisadores a elevação de consumo entre os usuários do Bolsa Família de arroz e feijão (59%), cujo consumo no Brasil decai há anos (ATT: a pesquisa foi realizada antes da elevação nos preços destes produtos). "No geral, a dieta das famílias mostra que alimentos de maior densidade calórica e menos valor nutritivo prevalecem na decisão de consumo, o que é preocupante e levanta a necessidade de programas direcionados para a educação alimentar e para a oferta de alimentos saudáveis a preços acessíveis", avalia Francisco Menezes, diretor do Ibase e coordenador do trabal ho.

Apesar do aumento declarado de consumo, parcela significativa dos beneficiários (21%, representando 2,3 milhões de famílias, perfazendo um total de cerca de 11,5 milhões de pessoas) encontra-se em situação de insegurança alimentar grave (fome entre adultos e/ou crianças da família); outros 34% (ou 3,8 milhões de famílias, perfazendo um total de cerca de 18,9 milhões de pessoas) estão em situação de insegurança alimentar moderada (restrição na quantidade de alimentos na família, de acordo com a EBIA - Escala Brasileira de Insegurança Alimentar). O estudo sugere que o Bolsa Família (que atende no total 11,1 milhões de famílias) é importante para melhorar as condições gerais de vida, embora, por si só, não garanta índices satisfatórios de segurança alimentar, questão associada a um quadro de pobreza mais amplo. "É necessário manter e aperfeiçoar o programa, associando-o a outras políticas públicas capazes de atacar problemas como a falta de saneamento básico e de acesso ao me rcado formal de trabalho, fatores que interferem na insegurança alimentar", avalia Menezes.

A maioria dos entrevistados (93,6%) foi de mulheres (o cartão do Bolsa Família é concedido preferencialmente às mulheres), e o universo pesquisado buscou refletir as informações dos cadastros do Programa. A maior parte das titulares (64,4%), são pretas ou pardas e vive em área urbana (78,3%). Apenas 43,7% declararam ter tido trabalho remunerado no mês anterior à pesquisa, sendo que uma minoria (16%) com carteira assinada. A quase totalidade (99,5%) afirmou que, de modo geral, não deixou de trabalhar por conta do Bolsa Família e 73% encaram o benefício como temporário.

Fonte: COSEA

01 julho 2008

Eu também quero.....

Eu também quero....


Depois de ler este artigo fiquei com muita vontade de seguir os passos dessa senhora e ir a luta, mas infelizmente motivos pessoais me impossibilitam. Mas quem sabe descobrimos alguns aspirantes a blogueiros interessados.


Blogs trazem nova realidade para a opinião pública nos Estados Unidos


Barack Obama e Bill Clinton desentenderam-se com os grandes nomes do mundo da mídia, mas isso não os ajudou em uma ocasião recente, quando enfrentaram uma repórter amadora californiana de 61 anos que brandia um gravador digital Sony de US$ 40.

Mayhill Fowler, uma blogueira do site "Huffington Post", da especialista em política Arianna Huffington, representa um fenômeno novo em anos de política eleitoral.

Apesar de toda a maestria demonstrada pelos candidatos perante as câmeras de televisão, nos comícios e nos debates, tem ficado cada vez mais difícil para os gerentes de publicidade das campanhas influenciar a forma como a mensagem dos seus candidatos é disseminada, devido à entrada dos "jornalistas cidadãos" no cenário.

"Os comitês de campanha trabalham cada vez mais arduamente no sentido de prevenir desastres, mas, inevitavelmente, haverá rachaduras na fachada", afirma Fowler, uma entusiasta que desembolsou dinheiro para participar continuamente da cobertura da campanha desde o final de dezembro passado.

"Antigamente, com muita freqüência, os candidatos falavam de uma forma para uma platéia e de outra totalmente diferente para um outro grupo de eleitores. Mas, devido à tecnologia, creio que agora tudo isso ficará registrado", afirma ela.

Atualmente os políticos enfrentam a assustadora possibilidade de que praticamente toda ação ou comentário improvisado possa ser gravado digitalmente e disseminado amplamente pela Internet.

Foi a presença de Fowler em um evento para arrecadação de verbas, em São Francisco, em abril, o fator responsável para que a campanha de Obama atingisse o seu patamar mais baixo até o momento. A gravação feita por ela dos comentários do candidato sobre como os "amargos" habitantes da Pensilvânia "agarram-se", como consolo, às armas e à religião, ressaltou aquilo que os críticos denunciaram como elitismo.

Fowler diz que à época esperava ser capaz de conciliar o seu entusiasmo pessoal por Obama com a sua reportagem. Ela ficou indecisa vários dias, sem saber se divulgava aquilo que o senador por Illinois dissera perante uma platéia de 400 pessoas, embora atualmente sinta pouco remorso. "Ele estava confirmando os piores estereótipos dos californianos da classe média alta a respeito dos eleitores da classe trabalhadora", diz.

Mais recentemente, esta mãe de Oakland estava em Dakota do Sul para registrar o último dia da campanha de Hillary Clinton nas primárias, quando Bill Clinton parou para conversar com uma multidão. Respondendo a uma pergunta dela sobre o áspero perfil publicado recentemente por uma revista, ele chamou o jornalista responsável pelo artigo de "um sujeito viscoso" e "um indivíduo desprezível" - comentários que ricochetearam pela Internet.

Inevitavelmente, os dois furos de Fowler geraram um debate entre os círculos jornalísticos no sentido de determinar se é correto publicar todos os comentários feitos de improviso, e se algum político é capaz de sobreviver a tal escrutínio constante.

Marc Cooper, o editor dela no "Huffington Post", dá pouca importância a tais argumentos. "A nova realidade para os políticos é que é melhor demonstrarem clareza quanto àquilo que são, ou então acostumarem-se a mentir a todo o momento".

A parte do site do "Huffington Post" destinada às reportagens dos voluntários - a "Off The Bus" - deixa claro que é uma virtude o fato de os seus colaboradores serem pessoas comuns, que não fazem parte do grupo de jornalistas tradicionais que viajam com os candidatos.

"Os jornalistas que embarcam no mesmo ônibus que o candidato estão sujeitos a bate-papos amigáveis. Agora os manipuladores da mídia aprenderam a fornecer 'umas migalhas' aos blogueiros favoráveis a fim de que estes influenciem o debate na Web. Eles não desejam alguém como eu, que está fora do círculo de controle", afirma Fowler.

Após meio ano de repousos breves em hotéis baratos e longas viagens de carro entre os comícios dos candidatos, Fowler traz as cicatrizes de um jornalista de campanha mais tarimbado.

Grande parte do seu idealismo desapareceu, à medida que ela observava os candidatos democratas de uma distância relativamente curta.

E embora ainda se defina mais como cidadã do que como jornalista, ela desistiu do seu antigo entusiasmo partidário. "Fiquei muito mais desvinculada, objetiva e fria", explica Fowler. "Tornei-me a clássica jornalista cética".

Tradução: UOL

Fonte: Financial Times

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