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06 novembro 2008

O que disse o pr incipal ator da aliança inventada por Fernando Pimentel

O que disse o principal ator da aliança inventada por Fernando Pimentel


Aécio: será "perverso" para País um novo governo do PT

Com postura de candidato à sucessão presidencial para 2010, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, lançou hoje, em Brasília, a estratégia para consolidar seu nome dentro do PSDB e fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Será perverso para o Brasil mais quatro anos disso que está aí", afirmou, em reunião com deputados federais do partido. Apesar de suas "hipócritas" boas relações com o presidente, Aécio bateu firme. "É um governo extremamente perdulário", disse. "E vamos gastar menos com a estrutura do Estado e mais com as pessoas. Não vamos gastar com a companheirada. "

O governador previu que Lula não conseguirá reeditar em 2010 a aliança que o levou ao Planalto nem irá eleger um candidato qualquer para sucessor. "Ele não terá o dom de ungir alguém para a cadeira presidencial. " Até por conta dos gastos públicos do atual governo, Aécio acha que o PSDB tem "enorme chance" de voltar ao Planalto e, sobretudo, confrontar a gestão pública do PT. "O governo pôs a ética debaixo do tapete", afirmou.

O mineiro engrossou o coro da oposição ao atacar a criação de 85 mil cargos pelo governo Lula. "Considero isso incompreensível" , afirmou. E falou também da ausência de marcos regulatórios e do fato de não terem sido viabilizadas as Parcerias Público-Privadas (PPP). "Vamos ter gargalos daqui a dois anos." Segundo o governador, a eleição de 2010 não repetirá o cenário de 2006, quando a campanha foi focada na economia. Agora, segundo Aécio, esse discurso ficou ultrapassado.

Fonte: Estad inho,,,,,inho....inho....

Obs.: Cadê o Diretório Nacional do PT, que ainda não colocou para fora o Tucano Pimentel????

13 outubro 2008

"FOLHA DE SÃO PAULO" esconde pesquisa que mostra derrota de Aécio Neves em BH

"FOLHA DE SÃO PAULO" esconde pesquisa que mostra derrota de Aécio Neves em BH


Até mesmo o jornal "Folha de São Paulo" não resiste ao Palácio da Liberdade e deixa de publicar pesquisa eleitoral de BH

Depois de três eleições municipais seguidas, patrocinando e publicando simultaneamente pesquisas eleitorais do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, pela primeira vez o jornal Folha de São Paulo deixa de publicar a pesquisa realizada na capital mineira.

Procurado pelo Novojornal, o instituto de pesquisa Datafolha confirmou ter feito a pesquisa, alegando que o registro no TRE-MG e a divulgação ou não da mesma é decidida por quem encomendou a pesquisa, no caso, a Folha de São Paulo.

Na redação da Folha, a indignação com o fato é grande e deve ser trazida a público através de nota assinada por diversos jornalistas que não concordam com a submissão do jornal à vontade do Palácio da Liberdade.

Diversos jornalistas das redações de São Paulo e Brasília entraram em contato com o Novojornal, denunciando o fato.

Novojornal não publica a pesquisa porque estamos em um período eleitoral e a divulgação da mesma, não registrada no TRE, constitui crime eleitoral.

Esta matéria tem apenas o objetivo jornalístico de trazer a público o inconformismo dos funcionários da Folha de São Paulo.

27 agosto 2008

Pedido de intervenção em BH

Pedido de intervenção em BH


À Comissão Executiva (CEN) do Diretório Nacional do Partido dos
Trabalhadores*

REPRESENTAÇÃO

Os abaixo assinados solicitam a essa instância partidária, na forma desta representação, que adote *medidas imediatas* para coibir as graves infrações às resoluções políticas aprovadas pelo Diretório Nacional, executadas pelo Diretório Municipal do PT em Belo Horizonte e pelos filiados Fernando Pimentel (Prefeito de BH) e Roberto de Carvalho (candidato a vice-prefeito da Coligação Aliança).

Depois de um amplo debate, o Diretório Nacional decidiu pela aprovação da aliança PT/PSB em Belo Horizonte, *afastando a possibilidade de coligação com PSDB e PPS *(Resolução do DN de 30/05/2008).

O acatamento da decisão por parte do DM/BH foi apenas na aparência.

Escudando-se num pretenso apoio informal desses partidos, uma vez que foram proibidos de se coligarem, iniciaram a campanha onde o PPS e principalmente o PSDB ocupam cargos de destaque na coordenação da campanha, participam lado a lado com o candidato e os petistas de todas as atividades de campanha e hegemonizam politicamente todas as ações, além de desferirem pesadas críticas ao PT e ao Governo Lula, que nunca são respondidas por qualquer membro da coligação, num silêncio cúmplice.

Além disso, obras que estão sendo feitas em Belo Horizonte com recursos do PAC, como a duplicação da Av. Antônio Carlos e o Projeto Vila Viva (urbanização de favelas), são apresentadas no programa eleitoral do candidato da aliança como sendo executadas pelo Prefeito Pimentel e pelo Governador Aécio. A campanha na tv e no rádio sequer cita o Presidente Lula como protagonista dessas obras.

Em nome de um *projeto político maior *que nunca se explicou qual seja, mas que todos sabemos que se trata de projetos pessoais do Governador Aécio e do Prefeito Pimentel com vistas aos Palácios do Planalto e da Liberdade respectivamente, forjou-se uma aliança que desrespeitou e enfraqueceu os partidos, empobreceu o debate político e dispensou a efetiva participação cidadã.

Nenhum sacrifício foi obstáculo para o projeto personalista colocado em andamento.

Não bastasse todo esse quadro formador da aliança original, muito mais ocorreu até que ela fosse ampliada com outros 12 partidos. A mão do governador interferiu de maneira grotesca na decisão de cada um deles. Para viabilizar o tal projeto político, não se hesitou em passar por cima dos ideários, dos compromissos, das histórias e das regras dos partidos.

Vivemos em Minas Gerais uma situação em que o Governador Aécio acha que tudo pode. Controla com mão de ferro qualquer crítica à sua peessoa ou ao seu governo.

No Partido dos Trabalhadores - PT, aqueles que *resistem* a essa insólita aliança são ameaçados com a instalação da Comissão de Ética. E isto significa uma clara inversão de valores, uma vez que o desrespeito às decisões partidárias foi praticado por eles, inclusive através de pressões sobre cargos comissionados.

Diante dos constantes ataques à liberdade de expressão, ao intenso movimento feito para coibir o lançamento de candidatos por outros partidos da base de sustentação governista municipal e estadual e para tentar conter o abuso do poder econômico pelo candidato oficial, foi criado em Belo Horizonte o Movimento Vigília Democrática.

Deste movimento supra-partidário participam pessoas filiadas a diversos partidos que apresentaram candidatos à prefeito nas eleições que se aproximam, bem como a partidos pertencentes à coligação governista, insatisfeitos com o processo anti-democrático que resultou na formação da Aliança.

*O* *dito apoio informal do PSDB e PPS,* *utilizado para burlar a resolução nacional do PT*, *transformou-se*, como era de se esperar,* numa aliança real, *onde o governador e o prefeito atuam como garotos-propaganda e abonadores da candidatura da coligação.

Depois de conseguirem seu intento, não tem sequer a preocupação de manterem as aparências de uma pretensa informalidade.

Diversas são as declarações de ambos na imprensa, grande parte destas já relatadas em outras representações ao Diretório Nacional, onde indicam que, *independente dos partidos*, estarão juntos nas eleições, insinuando um acordo não só para a que está em curso.

O *site oficial da coligação coloca o PSDB e o PPS como integrantes da aliança.*

O lançamento da campanha, o encontro das bandeiras, foi uma verdadeira confraternização do PT com o PSDB, com direito a dezenas de bandeiras dos dois partidos e discursos inflamados de Aécio e Pimentel contra a direção nacional do Partido dos Trabalhadores - PT.

Nas aparições públicas do candidato da Aliança é comum vê-lo ladeado pelos dois, o Governador e o Prefeito, sempre sorridentes e irmanados como velhos companheiros de armas.

Se ainda existia alguém que sinceramente acreditasse na informalidade do apoio, o início da propaganda, no rádio e na TV, veio dissipar todas as ilusões. Pimentel e Aécio aparecem como verdadeiros garotos-propaganda e abonadores da candidatura Márcio Lacerda, que, para alavancar a candidatura do desconhecido candidato, ocupam a maior parte do programa, seja em bloco ou nos comerciais de 30 segundos, exaltando as qualidades da antiga parceria entre os dois governantes e apresentando o referido candidato.

Neste contexto, nada mais apropriado do que a escolha da cor laranja como a cor da campanha.

Para se ter um exemplo, transcrevemos o trecho do início do primeiro programa do candidato, onde a apresentadora diz o seguinte:
*Essa eleição para prefeito de Belo Horizonte traz duas grandes novidades. Uma é a aliança entre o atual prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel do PT e o Governador Aécio Neves do PSDB. Mesmo de partidos diferentes eles vem trabalhando juntos há seis anos, numa parceria que o Brasil inteiro acompanha com muita atenção. **A outra novidade é o candidato dessa aliança: Márcio Lacerda. No programa de hoje, você vai conhecer um pouco mais sobre a vida e o trabalho de Márcio e ver porque a aliança administrativa entre a Prefeitura e o Governo do Estado é tão importante para BH.*

Constata-se, claramente, que há uma aliança que abrange além das figuras públicas do Prefeito e do Governador, seus respectivos partidos.

Tanto é verdade, que faz-se questão de citar com veemência os nomes do PT e do PSDB.

Em outro comercial, aparecem o Prefeito e o Governador juntos, falando da parceria que eles têm há seis anos e dos frutos dessa parceria.

Esses fatos, agora publicizados, explicam a falta de empenho do Prefeito na campanha de Nilmário Miranda ao Governo do Estado em 2006.

Outros fatos que chamam a atenção são a veiculação de materiais impressos de candidatos à vereador pelo PSDB acompanhados por Pimentel e Aécio e a utilização, sem autorização, de imagem dos Ministros Patrus Ananias e Luís Dulci na campanha de TV do candidato da Aliança.

Portanto, não há como desconsiderar a violação da Resolução Nacional do Diretório Nacional* *e o processo sistemático de desconstrução do Partido dos Trabalhadores, em curso, nas eleições municipais de Belo Horizonte.
Destacamos os incisos I, II, VIII, X e XII do artigo 209 do Estatuto do PT, que estabelecem como infrações:
*I- A violação äs diretrizes programáticas, ä ética, ä fidelidade, ä disciplina e aos deveres partidárias... ;*
*II- O desrespeito ä orientação política ou a qualquer deliberação regularmente tomada pelas instâncias competentes do Partido...;*
*VIII- O não acatamento äs deliberações dos Encontros e dos Congressos do Partido, bem como äquelas adotadas pelos Diretórios e Comissões Executivas do Partido...;*
*X- Acordos ou alianças que contrariem os princípios programáticos do Partido...;*
*XII- A promoção de filiações em bloco que objetivem o predomínio de pessoas ou grupos estranhas ou sem afinidade com o Partido.*
*Em face de tudo que foi exposto* e com fundamento no Capítulo III do Estatuto do Partido dos Trabalhadores, que se refere às penalidades, os Representantes requerem dessa instância partidária os seguintes procedimentos:
*01 - Censura pública ao Prefeito Fernando Pimentel e ao Deputado Estadual Roberto Carvalho para que não participem de mais nenhuma atividade de campanha em que estejam presentes o Governador Aécio Neves e o PSDB, inclusive nos programas de Rádio e na TV;*
*02 - Intervenção no Diretório Municipal de Belo Horizonte, de acordo com o Artigo 229 do Estatuto do Partido dos Trabalhadores - PT.*

Nestes termos,
Pedem e esperam pronto atendimento.

Belo Horizonte 25 de julho de 2008.

André Quintão
José Celestino
Jésus Lima
Luiz Baku
Marcos Helênio
Pedro Paulo Morais (Pepe)
Rogério Correia
Wagner Benevides

21 agosto 2008

CASO NOVOJORNAL - Um esqueleto no armário

CASO NOVOJORNAL - Um esqueleto no armário


Por Marco Aurélio Carone em 19/8/2008

"Quando se busca o entendimento de determinados acontecimentos é regra necessária retroagir no tempo para encontrar e entender os verdadeiros motivos do ocorrido no presente."

Após desligar o telefone celular que me informara que uma promotora – acompanhada de uma dezena de policiais, dois fardados e o restante em traje civil – acabava de entrar na redação do portal Novojornal para cumprir um mandado de busca e apreensão, veio-me a mente meus 10 anos de idade, na solidão de um colégio interno no interior de Minas Gerais, indagando ao padre Henrique, um salesiano franzino e de fala baixa, sobre o que estava acontecendo no mundo real, fora da fortaleza do Colégio Dom Bosco, instalado no antigo quartel da cavalaria da guarda imperial portuguesa, onde serviu o alferes Tiradentes, em Cachoeira do Campo, na época distrito de Ouro Preto. Estávamos no período conturbado que antecedeu o golpe de 1964. Dentre outros ensinamentos, aprendi com o padre Henrique o método reproduzido na epígrafe deste texto.

As indagações feitas com meu inseparável e eterno amigo, depois compadre, hoje falecido, Roberto Versiani Valadares, diziam respeito às notícias que chegavam através do rádio e tinham a ver com meu pai, que ocupava na época o cargo de prefeito de Belo Horizonte. Meses depois seria afastado e cassado em seus direitos políticos.

O tempo passou, vieram às eleições estaduais de 1982 e Tancredo Neves elegeu-se governador de Minas Gerais. Participei ativamente de sua campanha, minha gráfica confeccionou gratuitamente todo material dos candidatos que o apoiavam na região metropolitana de Belo Horizonte.

Depois de eleito, devido à estreita relação de minha família com a de Tancredo, o governador mandou me chamar a seu apartamento situado na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Ele solicitou então que ajudasse seu neto, Aécio, porque ele estava vindo morar em Minas.

Foi o que fiz. Briguei com todas as jovens lideranças do PMDB, principalmente as da capital, e participei das articulações que elegeram Aécio Neves dirigente do PMDB Jovem. Ali começava a vida política do atual governador de Minas. Juntos, participamos da Campanha das Diretas e a seguir da campanha de seu avô à Presidência da República. Com a morte de Tancredo, afastamo-nos. Em 2002 nos reaproximamos novamente, ao disputarmos a eleição para governador de Minas. Muitos inclusive afirmavam que minha candidatura servira apenas para auxiliar Aécio, no combate ao candidato Newton Cardoso.

Objetivo maior

Aécio foi eleito e implantou medidas de austeridade, mas ao término do primeiro mandato já integravam seu governo figuras totalmente descomprometidas com a moralidade pública. Seu comportamento ultrapassava em muito o limite ético e até mesmo cerimonial exigido de um governador. Mas eu tomava conhecimento desses fatos apenas por intermédio de políticos adversários do governador, e por isso suspeitos em seus relatos.

Eu havia mudado para minha terra natal, Visconde do Rio Branco, interior de Minas. Lá permaneci até julho de 2004, quando sofri um acidente automobilístico que me obrigou voltar a Belo Horizonte e permanecer na cama, em recuperação, por mais de um ano. Foi quando comprei um computador com conexão à internet, e um mundo todo novo se abriu para quem não se adaptara sequer às modernas máquinas de escrever elétricas.

Já tinha experiência da área jornalística, pois havia dirigido dois jornais diários na capital, o Jornal de Minas e Diário de Minas. Na internet, evidentemente estava atrás de notícias. E percebi então que existia uma enorme fatia de mercado disponível para ser ocupado por um sítio de notícias online.

Não deu outra: em 2006, ao sair da cama, aluguei uma loja, comprei quatro computadores a prestação, providenciei a instalação de cabos, redes e outras adaptações necessárias para funcionamento do Novojornal, agora retirado do ar pelo Ministério Público de Minas e pela Polícia Militar [ver "O empastelamento do Novo Jornal"].

De volta ao meio jornalístico no início de 2006, tomei conhecimento do que estava acontecendo em Minas Gerais. Denúncias, acompanhadas de farta documentação comprobatória das irregularidades, chegavam diariamente à nossa redação. Diversas vezes fui questionado pela não publicação desse material.

Crente no espírito cristão da recuperação humana – e em função do respeito que sempre tive em relação ao seu avô Tancredo –, entregava pessoalmente as denúncias contra Aécio Neves à sua irmã Andréa, aconselhando que tomassem as medidas necessárias. De nada adiantou. Diante disso, fiquei decepcionado e com a consciência pesada – assim como grande parte dos companheiros de Tancredo – por ter ajudado a introduzir na política do estado um político que liquidaria qualquer princípio ético e moral da sociedade mineira para, em seu nome, utilizar-se de um cargo público para chegar à Presidência da República.

Decidi que dali em diante os assuntos relativos a irregularidades praticadas pelo governo mineiro, assim como pelos demais poderes, seriam apuradas e, se comprovadas, publicadas pelo Novojornal.

Artifício capcioso

Sem qualquer dependência comercial, com custos baixos e vivendo apenas do arrecadado por meio de anúncios, o Novojornal foi um sucesso. E isto deve ser creditado à independência e qualidade de nossos jornalistas, à publicação de matérias investigativas e à ajuda e assessoria da velha guarda do jornalismo mineiro.

Todas as matérias investigativas publicadas pelo Novojornal foram sempre acompanhadas de documentos e provas que as fundamentavam. Nas poucas vezes que fomos questionados judicialmente, argüimos a exceção da verdade e provamos que o noticiado era verdadeiro. Este procedimento passou a incomodar aos poderosos, que perderam a tradicional prática chantagista de ameaçar "processar" o contendor.

A esta altura, não era mais segredo para ninguém que em Minas a censura à imprensa transformara-se em regra oficial. A publicação de matérias no Novojornal questionando o comportamento de autoridades como o governador, procurador-geral, presidente da Assembléia Legislativa, deputados estaduais, conselheiros do Tribunal de Contas, para ficar apenas no plano estadual, destoava do noticiado pelos demais veículos – o que os obrigava a abordar, mesmo que superficialmente, esses assuntos.

A denúncia de irregularidade em licitações de obras e compras do governo estadual nas empresas Cemig, Copasa e Codemig, além de algumas prefeituras municipais, inclusive a da capital, passaram a incomodar, além dos governantes, empresários de diversos setores.

O comportamento do procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares, de impedir o andamento de investigações contra integrantes dos três poderes e de grandes empresas foi amplamente noticiado e questionado pelo Novojornal. Quando o Ministério Público lançou a campanha "O que você tem a ver com a corrupção", aproveitando-se do tema e do selo o Novojornal dirigiu a pergunta ao procurador-geral. Este não aceitou a crítica e ofereceu uma denúncia que, ainda na fase de inquérito, sem sequer ter-se transformado em um processo, recebeu decisão favorável de um juiz para a retirada do Novojornal da internet.

Ao contrário do argumentado pelo Ministério Público, o Novojornal encontra-se rigorosamente dentro da lei, inclusive com diretor-responsável registrado na DRT, detentor do MTE nº 000311/MG, respondendo o mesmo por todas as matérias não-assinadas publicadas no Novojornal. Prática adotada conforme disposto no art. 8º I e 28º II da lei 5.250/67 e art. 5º do Decreto-Lei nº 927/69, alterado pela Lei nº 5.696/71 e nº 6.612/78 e nº 6.727/79 e nº 7.360/85. Dessa forma, comprovado está que jamais existiu o anonimato argüido pelo MP-MG. Inclusive o diretor-responsável e o endereço de sua sede encontram-se registrados no Registro.br, cadastro oficial de todos os sítios da internet no Brasil.

Como os artigos nº 20, 21 e 22 da Lei de Imprensa estão suspensos por decisão do Supremo Tribunal Federal, para atender o interesse do procurador-geral utilizaram-se do lamentável artifício de argüir o anonimato. Evidente que ao Ministério Público caberia evitar que ocorresse a quebra da liberdade de imprensa. Mas deu-se o contrário: por esse artifício, o MP-MG vem descumprindo a Constituição Federal, que atribui à polícia civil a competência de polícia judiciária.

Negócio nebuloso

Instalado no 3º andar da sede da Procuradoria Geral de Justiça, em Belo Horizonte, há um serviço de informação administrado e operado por militares da área de informação da Polícia Militar, oriundos da Casa Militar do Palácio da Liberdade. Por meio de um sofisticado equipamento de espionagem, que inclui escuta telefônica, o Executivo mineiro é municiado diariamente de informações que seriam legalmente de domínio e conhecimento apenas do Poder Judiciário, mediante autorização de um juiz.

O Novojornal estava com uma matéria pronta para ser publicada, comprovando o monitoramento realizado por esse serviço clandestino de informação das atividades de deputados estaduais, desembargadores, alguns juízes das varas da Fazenda Pública e delegados, líderes sindicais, religiosos e partidários mineiros. Este "SNI" do MP-MG vem monitorando até mesmo funcionários públicos suspeitos de serem contrários ao governo. A justificativa para existência desse serviço secreto é a de combater o crime organizado.

Já havíamos noticiado que o "SNI" do MP-MG há mais de um ano vinha nos monitorando "informalmente". Agora, comprovadamente o está fazendo de maneira oficial desde junho deste ano, conforme demonstra o inquérito nº 0024.08.141.377-5.

Cabe uma indagação. Por que estavam monitorando quem acessava o Novojornal à procura de notícias? Que crime esse ou essa internauta estaria cometendo? Desde 2007, toda a rede de internet que serve a repartições do governo mineiro impede o acesso ao endereço do Novojornal.

A busca e apreensão efetuadas na quinta-feira (14/8) por agentes da PM 2 no Novojornal tinham outras finalidades: estavam à procura da documentação que nos permitiria comprovar duas matérias praticamente nascidas em nossa redação: a lista de Furnas e a compra da Light pela Cemig.

No caso da lista de Furnas, os arquivos procurados demonstram que a lista confeccionada por Dimas Toledo não é apenas legítima, mas foi baseada em outra lista constante de uma correspondência encaminhada pelo secretário de Governo Danilo de Castro, em papel timbrado do governo de Minas Gerais e em nome do governador.

No caso Light-Cemig, as declarações de imposto de renda da empresa Lidil Comercial Ltda. dos exercícios de 2006 e 2007, tornadas públicas nos autos de Ação Popular, Processo nº 0024.08.008.068-2 em tramitação no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Empresa detentora de apenas 4% do capital da Light S/A, as declarações comprovam que a Cemig, ao adquirir a Lidil por meio da Rio Minas Energia (RME), assumiu uma dívida de R$ 482 milhões – e desta forma pagou por 4% das ações da Light S/A quase o mesmo valor pago por 75% de ações da mesma empresa.

Instituição desvirtuada

Foi imposta ao Novojornal uma condenação antes mesmo da apuração da denúncia, que se procedente transformar-se-ia em processo onde poderíamos nos defender. O Ministério Público requereu e o juiz autorizou que o Novojornal fique fora do ar "enquanto durarem as investigações".

O método adotado não é novo. Em 1995, o atual procurador-geral Jarbas Soares, na condição de promotor eleitoral, fez o mesmo com o jornal Diário de Minas, também em período eleitoral, por causa de denúncias publicadas sobre irregularidades praticadas pelo então candidato ao governo de Minas, Eduardo Azeredo. O jornal ficou impedido de circular durante o período das eleições. Depois do pleito, uma juíza hoje desembargadora desculpou-se, liberando a circulação do jornal e confessando que estava enganada. O jornal foi prejudicado na sua periodicidade, perdeu anunciantes e foi obrigado a fechar as portas.

Outra vez, coincidentemente no período eleitoral e um dia após a publicação de uma entrevista com o ex-deputado Rogério Correia, dissidente e opositor da candidatura da aliança "informal" PT-PSDB à prefeitura de Belo Horizonte, denunciando o comportamento do governador mineiro, principal articulador da aliança, ocorre a "busca e apreensão" e a retirada do ar do Novojornal.

Empresários ligados à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), inconformados com a entrevista, avisaram-me que estávamos atrapalhando o projeto político do governador. Para os que apóiam o candidato da coligação "informal" PT-PSDB, foi estratégico o bloqueio do servidor de um sítio de internet que contém uma enorme quantidade de matérias denunciando práticas criminosas do candidato apoiado pelo governador, e que fatalmente seriam utilizadas no horário eleitoral gratuito.

Se estávamos atrapalhando o projeto político do atual governador de Minas Gerais não sabemos: cumpríamos apenas nosso dever de informar.

Todos mineiros com alguma responsabilidade assustam-se com o comportamento dos integrantes dos poderes legislativo e judiciário, que fazem de conta não estar vendo que somos governados por alguém que não governa, apenas atende aos interesses dos grupos econômicos que comandam o estado.

Pior ainda: o Ministério Público, que em outras épocas chegou a destituir um de seus membros por envolvimento com a máfia dos caça-níqueis, nada faz diante do comportamento de seu atual procurador-geral, que primeiro transformou a instituição numa repartição do Executivo, depois num enorme incinerador de investigações e, agora, em serviço de informação e repressão política, ideológica e partidária.

O procurador desvirtuou uma instituição criada para fiscalizar e defender o cumprimento das regras do Estado Democrático de Direito, transformando-a em embrião de um temido e tenebroso Estado de exceção. Promotores e procuradores do Ministério Público mineiro com mínimo conhecimento de suas funções deveriam comparecer ao 3º andar do prédio da sede da Procuradoria Geral de Justiça, em Belo Horizonte, para conhecer o que ali se encontra instalado.

Poderes transitórios

O Novojornal reconhece de público a existência em Minas Gerais de juízes, desembargadores, promotores, procuradores e membros da Polícia Militar Gerais que não concordam com o que está acontecendo. Ao contrário do que se imagina, querem mudanças e precisam apenas do apoio da opinião pública para promovê-las, mantendo a autonomia e a independência de cada instituição.

O Novojornal foi apenas o primeiro. Se providências não forem tomadas, outros serão igualmente sacrificados. Nossas reportagens jamais tiveram o objetivo de difamar ou prejudicar a carreira do governador ou de qualquer político. Seus aliados podem cometer a arbitrariedade de retirar Novojornal do ar, mas honrosamente não vamos negociar: recorreremos ao Poder Judiciário na busca da correção dessa injustiça.

Ao contrário do que alegam, não existe qualquer anonimato. O responsável pelo Novojornal de acordo com a lei sou eu: Marco Aurélio Flores Carone. O procurador-geral de Justiça e o governador de Minas sabem onde me encontrar. Humildemente lanço um desafio público a eles, para que me processem e provem que o Novojornal em qualquer momento publicou uma notícia que não estivesse fundamentada em documentação e provas.

Ao contrário do que imaginam o governador e o procurador-geral, o fechamento do Novojornal, assim como seus transitórios poderes, não será capaz de impedir a retirada de um esqueleto do armário da política nacional. Antes que ele venha assombrar as futuras gerações.

Fonte: Observatório da Imprensa

18 agosto 2008

Deputado André Quintão (PT-MG) rebate críticas de Aécio Neves a Lula

Deputado André Quintão (PT-MG) rebate críticas de Aécio Neves a Lula


“A visão do papel do Estado é a grande diferença entre o PT e o PSDB: enquanto o PSDB prega o Estado mínimo, o PT defende um Estado forte, indutor do desenvolvimento econômico, provedor de políticas públicas de qualidade e gerador da inclusão social e da distribuição de renda”, afirmou nesta quinta-feira (14), na tribuna da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, o deputado petista André Quintão.

Ele rebateu as críticas do governador Aécio Neves ao presidente Lula publicadas na imprensa, de que o governo federal “gasta demais e gasta mal” e que desprezaria “a boa prática da administração pública”.

Para André Quintão, o que o governador chama de “gasto”, o PT considera investimento social, para assegurar dignidade ao ser humano. “A eficiência não é um valor em si, eficiência é um valor que ganha contornos de humanidade quando repercute na vida das pessoas”, afirmou, questionando se as 11 milhões de famílias que recebem o Bolsa Família, os 500 mil estudantes do ProUni e os beneficiários do Pronaf - Programa Nacional de Agricultura Familiar, cujos investimentos subiram de R$ 2 bilhões anuais no Governo FHC para R$ 12 bilhões hoje, concordariam com a avaliação de Aécio Neves.

Quintão, que preside a Comissão de Participação Popular, apresentou em seguida a execução orçamentária do governo mineiro no primeiro semestre do ano, para alertar o governador de que Minas Gerais não tem sido “o exemplo de gestão” tão apregoado no país. Conforme o relatório da execução orçamentária, 54 projetos estruturadores, que compõem o conjunto de prioridades do Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG), tiveram execução média de 22,14% até a metade do ano, “quando devia-se esperar de uma gestão exemplar a aplicação de 50% dos recursos previstos para 12 meses”. Segundo ressaltou o deputado, apenas cinco projetos ultrapassaram os 50% e 38 projetos não atingiram sequer 25% de execução.

Entre os exemplos citados, a área Defesa Social apresentou uma média de execução de apenas 12,57%, “enquanto a população clama por mais segurança pública”, afirmou André. Já o Centro da Juventude de Minas Gerais, um projeto estruturador prioritário, teve 1,05% de execução orçamentária. Outro exemplo foi o estruturador “Redução da Pobreza e Inclusão Produtiva”, com média de 16,31% da aplicação autorizada em todos os seus programas. O deputado explicou que a análise permite observar que na área social, os projetos estruturadores com recursos vinculados, como saúde educação, são aqueles com melhor desempenho: “Educação de Qualidade”, média de 36,92%, e “Vida Saudável Total”, média de 42,75%.

Assessoria Parlamentar

Leia aqui matéria rebatida


Resgatando o Novojornal - 4


Resgatando o Novojornal - 4


28/07/2008

Candidatura do PSB já desanima padrinhos

Preocupado com a fragilidade e ausência de mensagem de seu candidato, Pimentel tenta identificá-lo como seu sucessor

Ao lado do candidato à prefeitura de Belo Horizonte, pelo PSB, o prefeito da cidade, Fernando Pimentel (PT) desqualificou ontem o discurso dos candidatos Jô Moraes (PCdoB) e Leonardo Quintão (PMDB) - que têm como lema a continuidade da administração petista, porém com avanços. Pimentel classificou todos os concorrentes do candidato do PSB como oposicionistas. Durante um corpo-a-corpo no parque JK, no bairro Sion, o prefeito disse que apenas seu candidato pode entoar o mote da continuidade. "Só há uma chapa de continuidade. As demais variam de oposição aberta à oposição disfarçada, mas não são de continuidade", afirmou. Pimentel preferiu não explicitar quais seriam essas chapas.

Quando questionado se Jô Moraes também não representa a continuidade, já que fez parte da sua administração, ele afirmou que, como prefeito, poderia dizer que somente o candidato do PSB dará prosseguimento a seu legado. "Ela deve responder por isso. Como prefeito eu devo dizer que a chapa de continuidade é a do PSB ", justificou Pimentel.

Jô e Quintão utilizam na campanha o mote de continuidade da atual gestão. Todos fazem parte de partidos da base aliada de Pimentel.

Ontem, candidato do PSB disse que pretende intensificar o corpo-a-corpo contando com a presença de Fernando Pimentel e do governador Aécio Neves (PSDB). "Vamos fazer mais movimentos de rua", afirmou.

A candidata, Jô Moraes, disse ontem que os eleitores acreditam que ela dará continuidade ao legado do PT - a frente da administração municipal há 16 anos. "Há um sentimento forte das pessoas que estão se incorporando à nossa campanha, por considerarem que o programa que apresento é a espinha dorsal da continuidade que começou com o ministro Patrus (Ananias, que foi prefeito de Belo Horizonte)", afirmou a candidata, ressaltando também que lideranças comunitárias sabem do seu trabalho e da sua "contribuição para a gestão petista"


16 agosto 2008

Resgatando o Novojornal - 3


Resgatando o Novojornal - 3

Aqui vai uma matéria do site Observatório da Imprensa, baseada em matéria publicada pelo Novojornal. Não conseguimos AINDA localizar a matéria original postada no Novojornal, mas estamos tentando.


O governo mineiro e a Globo


Por Daniel Florêncio em 6/2/2007


O site noticioso NovoJornal, de Belo Horizonte, trouxe em 23/1/2007 a seguinte manchete "Governador de Minas, Aécio Neves, paga US$ 269 milhões de dívidas da Rede Globo de Televisão na compra da Light". Será?

Em investigação realizada pelo site, são revelados detalhes de um negócio em que o governo mineiro, com capital da Cemig, criou uma outra empresa, a RME – Rio Minas Energia Participações S/A, a qual comprou a Light "transferindo para os fundos credores da Rede Globo (...) um crédito em ações de US$ 269 milhões, através do pagamento feito a maior que a quantidade de ações adquiridas na Bovespa pela RME – Rio Minas Energia Participações S/A, na operação de compra".

Segundo o site, quando se analisa a compra da Light pela RME com documentos da Secretaria de Acompanhamento Econômico, do Ministério da Fazenda, percebe-se que, apesar de ter pago por 79,57% das ações da Light, a RME só adquiriu 75,40%. Tal operação, de acordo com o site, é utilizada por empresas particulares para esconder ou desviar lucros, tal como quando se compra nota fria. O saldo da operação seria o destinado à amortização da dívida da Globo para com credores estrangeiros.

Toda a negociação, aparentemente, envolveu a posse do ex-presidente da holding do Grupo Globo, Ronnie Vaz Moreira, como presidente da tal RME - Rio Minas Energia Participações S/A e como diretor-financeiro da Light. Em suma, o povo mineiro, sem saber, através de sua companhia elétrica estadual, financiou o salvamento do grupo Globo, para que este agisse em favor do governador mineiro Aécio Neves.

Nesse processo, a Cemig acabou por constituir sociedade com várias empresas particulares na RME, porém sua participação é de apenas 25%. Ainda de acordo com o site, "a irregularidade na constituição da empresa é tão grande e insanável que a Junta Comercial e a Receita Federal não conseguem explicar como isto ocorreu, prometendo pronunciar-se só depois de uma profunda e detalhada investigação".

Blindagem eficiente

Como os credores da Globo nos EUA já tinham entrado com pedido de falência contra a empresa em Nova York, o pagamento da dívida teve quer ser feito dentro da contabilidade da Globo, o que acabou "deixando rastro".

O site se alonga em detalhes exaustivos da operação e cita, inclusive, dados da Justiça norte-americana, a qual, embora busque explicações da origem do dinheiro da Globo para o pagamento do seu pedido de falência, deixa um vazio justamente ao não explicar qual o mecanismo de entrada desses recursos no caixa da Globo. Não explica o X da questão.

O site dá indícios e mostra evidências fortes que devem ser apuradas pelo poder público e pela mídia. A questão é: qual mídia? Se tal operação de salvamento da Globo através de artimanhas do mercado financeiro foi realmente articulada pelo governo de Minas, por dedução explica-se a eficiente blindagem e o quase apoio institucional que o governador Aécio Neves recebe da Globo.

A Globo, por meio de seus veículos, não noticiaria ou mobilizaria a opinião pública para uma irregularidade cometida para sanear suas dívidas. Ou noticiaria? Aparentemente, também não o fariam o Grupo Abril ou o Grupo Folha, pois, segundo matéria do mesmo site ("Aécio Neves entrega Copasa às multinacionais espanholas OHL, Agbar e Capital Group, para montar campanha à Presidência", ver aqui), em operação financeira dessa vez envolvendo a Copasa, o governo de Minas acabou cedendo capital da empresa para grupos econômicos com participação nos dois grupos de comunicação.

Cabe, no entanto, aos meios de comunicação não acusados e ao poder público apurarem as denúncias de uso de capital de empresas públicas e estratégicas para o financiamento de articulações e movimentações entre políticos e grupos de comunicação.

Sugiro a este Observatório e aos profissionais de mídia investirem na apuração dessas denúncias. Seria uma nova "Sociedade dos Amigos de Plutão"? Pode ser, mas deve ser investigado para se chegar a essa conclusão. Sendo as operações irregulares ou não, e tendo realmente ocorrido, poderia tratar-se de uma manobra para obter controle sobre o que é publicado nos meios de comunicação de maior alcance no país, sobre controle dos grupos Globo, Folha e Abril. Ao financiar com dinheiro público o saneamento das dívidas do Grupo Globo, Aécio Neves se tornaria parceiro. Sócio. Ao permitir que capital da Copasa se misture com capital de grupos estrangeiros dos quais fazem parte Folha e Abril, novamente Aécio se tornaria parceiro. Sócio. Em suma, se trataria de uso de dinheiro público para fins pessoais.

Projeto de poder

A crise financeira que assolou os veículos de comunicação, associada à atual transformação no mercado de capitais e à entrada no país de novos grupos investidores em telecomunicações e tecnologia, acabou por configurar um cenário em que o grupo com maior poder de barganha, leva. Não se trata de ideologia ou projeto político, mas pura e simples lógica de mercado. Quem paga mais, leva.

Como o atual governo não o fez através de financiamento oficial do BNDES, tão discutido alguns anos atrás, Aécio, segundo o NovoJornal, o teria feito através das ferramentas que tem à mão, dispondo de capital público, pertencente aos cidadãos mineiros, para, assim, aproximar-se daqueles que divulgam idéias e para levar a si próprio e a seu grupo político à presidência da República.

Desde o início de seu primeiro mandato ouve-se falar em cerceamento da imprensa pelo governo de Minas. Em todos os veículos. Mas, se confirmadas as denúncias apresentadas pelo site, a compra da "grande mídia" no país para o benefício, impulso da imagem e conseqüente chegada à presidência de Aécio Neves se mostrará não apenas como censura ou cerceamento de idéias, mas como um profundo e bem arquitetado projeto de chegada ao poder – não só do governador, mas de todo um complexo, poderoso e influente grupo político e econômico. Será?


Resgatando o Novojornal - 2


Resgatando o Novojornal - 2

29/05/2008

Cemig fornece energia para Globo e Abril

Cemig financia imprensa nacional, viabilizando projeto político tucano em todo país. Quem paga é o consumidor mineiro

Inacreditável o quanto uma empresa pública tem sido utilizada para financiar projetos políticos pessoais de governantes mineiros.

Após comprar a Light S.A. e outras concessionárias de energia espalhadas pelo país, privatizando suas atividades sem qualquer respeito a normas legais, a estatal mineira inicia uma prática, no mínimo imoral, de fornecer aos veículos de comunicação, de todo o país, energia em troca de publicidade.

Importante frisar que, principalmente no setor de rádio, TV e jornal, o gasto com energia significa aproximadamente 60% dos gastos operacionais. Evidentemente que este “privilégio” tem um preço a ser pago pelos veículos de comunicação.

Comprovadamente, na compra da Light, a Cemig, através da RME/LIDIL, pagou as dívidas da Rede Globo em Nova York, assumindo a gestão da empresa o ex-diretor geral da emissora. Na Editora Abril é desnecessário afirmar que a totalidade dos executivos da empresa tem como origem o ninho tucano.

Embora Minas Gerais tenha se transformado, nos últimos anos, no reduto da corrupção nacional, nenhum órgão de imprensa divulga qualquer fato. Minas é um território livre para práticas ilícitas, que vão da corrupção política ao tráfico de drogas.

Ocorre em Minas, o que acontecia no Velho Oeste americano, os assaltantes e bandidos cometiam o crime nos Estados Unidos e corriam para atravessar a fronteira com o México.

E a cumplicidade e tolerância com o crime não está apenas no Executivo, está também no Legislativo e Judiciário.

Quanto ao Ministério Público Estadual, com raríssimas e honrosas exceções, transformou-se em legitimador da corrupção, através dos famosos “Termos de Ajustamento de Conduta”.

Chegamos ao ponto da imprensa servir ao governo mineiro como “serviço de informação”. O proprietário ou responsável pela parte jornalística do veículo de comunicação, de forma dissimulada, determina aos repórteres que os oposicionistas do Governo sejam entrevistados para saber o que pensam. Depois de feito o vídeo, gravação ou matéria jornalística é demonstrada no Palácio da Liberdade.

A pauta do noticiário dos principais jornais televisivos não é feita se não antes aprovada pelo governo estadual. Os grandes anunciantes são pressionados a anunciar apenas nos veículos aprovados pelo Palácio.

Há poucos dias, o Novojornal perdeu um de seus anunciantes do setor automobilístico devido a esta prática. Dias depois, uma concessionária, pertencente a um deputado estadual, ganharia uma concorrência para fornecimento de duas centenas de veículos para o governo mineiro da marca do ex-anunciante.

Até quando esta prática vai permanecer? Ninguém pode prever. O que se pode saber é que a exemplo de uma represa, quando ela estoura, perde-se o controle.

A imprensa nacional precisa estar atenta para o fato de que hoje, isto acontece em Minas, amanhã poderá ser em todo país.

Deputados estaduais e federais, promotores, procuradores, juízes e desembargadores, consultados pela reportagem, respeitosamente pediram desculpas e nada quiseram falar a respeito.

As assessorias da Rede Globo e Editora Abril não quiseram comentar o fato. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) julga-se incompetente para “entrar neste assunto”. Bem, a Cemig nada disse, porém, fontes da empresa, informam que após a consulta do Novojornal, “morreram de rir”.

Resgatando o Novojornal - 1

Resgatando o Novojornal


Estarei aqui postando tudo o que conseguir captar de matérias que foram veiculadas pelo Novojornal, em protesto a esta atitude do MPE de Minas Gerais.
Não podemos aceitar passivos que sobre alegação de que o Novo Jornal estaria publicando matérias que afetam a HONRA de autoridades públicas seja simplesmente fechado e todo o seu material confiscado.
Se fosse assim, já deveriam ter fechado a Folha de São Paulo, o Estado de São Paulo e pior ainda a Revista (NÃO) Veja, pois esta não só publicou, como já criou vários documentos falsos, sobre as maiores autoridades do Brasil.


Resgatando o Novojornal - 1

16/06/2008

Minas entregue à própria sorte!

Diante da dificuldade em administrar a briga entre o grupo de sua irmã com seu cunhado, governador entrega-se às drogas

Drogas institucionalizadas

Tudo tem um limite. Em Minas Gerais este limite já passou. Ou as forças que pretendem ver este Estado forte e capaz de se desenvolver de maneira honesta e duradoura reagem ou a criminalidade, seja ela através da corrupção política, do super faturamento de obras ou até mesmo do tráfico de drogas, liberado abertamente nas altas rodas por orientação direta do Palácio da Liberdade, tomarão conta.


Não estamos convocando as forças dos Poderes oficiais: Executivo, Legislativo e Judiciário. Estes, pouco ligam para os desmandos, igualmente, o que querem é levar vantagem.

Chegamos ao ponto do governador Aécio Cunha, ao se deslocar em aeronave do governo mineiro, levar consigo doses de diversos narcóticos para atenderem às suas necessidades. Isto tem sido de maneira omissa presenciado por autoridades civis e militares que o acompanham, que caso não permitam, o governador entra em crise de abstinência.

Não é possível permitir que um doente que vive o dia inteiro drogado continue a governar Minas. E não é só ele. O flagelo das drogas atinge administradores próximos ao governador. Corre-se o risco de em um dos “encontros” que ocorrem no Palácio das Mangabeiras terminar em tragédia.

Não foram poucas as vezes que o governador mineiro foi encaminhado para o Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte, devido a overdoses.

Há poucas semanas no Ceará, o governador junto com um “esquadrão de motos”, se envolveu em um grave acidente. Depois que as motos foram apreendidas e vistoriadas verificou-se que todos estavam drogados e que a quantidade de droga encontrada nas motos era absurda.

A tudo isto o primeiro escalão do governo de Minas e a família do governador assistem calados, como se sua vida pouco importasse. Como se o importante fosse a manutenção dos privilégios e “esquemas” montados para desvio do dinheiro público.

A posição crítica do Novojornal ao governo de Aécio Cunha continua, pois não queremos contribuir, nem que por omissão, para a tragédia já anunciada.


Quem confia em Aécio?

Quem confia em Aécio?


Não há qualquer diferença entre as prioridades do "construtor de pontes" e o ideário neoliberal da cúpula tucana. As reformas estruturais mais importantes - agrária, habitação, educação e a do saneamento básico- não têm lugar na sua agenda. Como não teve nas de FHC, Serra e Alckmin.

Gilson Caroni Filho

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, gosta de aparecer na grande imprensa como o “tucano diferente". Um oposicionista que caminha na contramão da política pequena de seus companheiros de partido, apresentando-se como um homem público preocupado com o desequilíbrio federativo, originado pelo que chama de “hegemonia paulista na política". Sua originalidade residiria no fato de ser um oposicionista com propostas para o país, ave rara no bloco conservador. Nada mais enganoso. Nada mais perigoso.

Suas críticas mais recentes ao governo do presidente Lula desmontam os elementos discursivos empregados na tentativa de produzir sua significação, de elaborar uma persona que o defina como "construtor de pontes" entre partes que, segundo ele, estão "cegas por radicalizados projetos de poder".

Segundo o jornalista Ricardo Noblat, o governador lamenta que Lula desperdice o seu segundo mandato não promovendo reformas na Previdência Social, na área tributária e nas relações trabalhistas. Todas elas, segundo Aécio, ”indispensáveis para a fundação de um Estado moderno, ficarão para ser feitas pelo sucessor de Lula. Que ainda será obrigado a enxugar despesas governamentais que não param de crescer”.

Como se vê, não há qualquer diferença entre as prioridades do "construtor de pontes" e o ideário neoliberal da cúpula tucana. As reformas estruturais mais importantes - agrária, habitação, educação e a do saneamento básico-não têm lugar na sua agenda. Como não teve nas de FHC, Serra e Alckmin.

A reforma da Previdência é uma bandeira cara ao neoliberalismo. Com o "nobre" propósito de combater um falso déficit, o objetivo é a supressão de direitos, principalmente de mulheres e beneficiários do salário mínimo. Aécio finge ignorar que as receitas superam as despesas, mesmo após três anos seguidos de aumentos reais do mínimo.

Simula desconhecer que o presidente já afirmou que a reforma será pautada pelo Fórum de Negociação da Previdência, como proposta amadurecida na sociedade civil, ”permitindo que as novas gerações tenham um sistema mais condizente com as necessidades dos trabalhadores”. Um foco bem diferente do que reza o receituário mercantil.

Não sabe também que, em fevereiro, o governo encaminhou projeto de reforma tributária que pretende desonerar empresas, gerar mais empregos e acabar com a guerra fiscal entre os Estados. Em que nuvem anda o jovem Aécio? Ou em que praia do litoral fluminense tem surfado o sobrinho de Tancredo?

Para o “construtor de pontes", o PAC ( Programa de Aceleração do Crescimento) não passa de uma jogada marqueteira."Rode por Minas. Tente encontrar alguma obra de vulto financiada pelo PAC. Não encontrará", aconselha.

Pena que tenha esquecido de dizer que o Estado que governa tem 114 das 119 prefeituras envolvidas em desvios de verbas do programa. E que o PSDB detém o maior número de prefeitos sob suspeita de fazer parte do esquema de apropriação ilegal dos recursos. Alguém precisa lembrar ao governador que obras de vulto não brotam do chão, ainda mais se no subsolo há dutos duvidosos. E que, como liderança estadual, cabe a ele alertar seus correligionários quanto a esse pequeno deslize ético.

Em visita ao Rio, na manhã de um ensolarado 15 de agosto, Aécio atacou supostas falhas do governo na segurança pública, argumentando que "o governo federal não assumiu a sua responsabilidade na questão da segurança pública, contingenciando recursos do Fundo Penitenciário e do Fundo Nacional de Segurança". É uma pena que a censura da imprensa mineira, praticada em proveito do seu próprio governo, deixe o fenômeno de Minas tão desinformado.

Uma breve leitura do jornal Brasil de Fato, em 14 de maio de 2007, faria com que tomasse ciência de que na sua gestão ", os investimentos em saúde, segurança pública e educação caíram, de R$ 11,6 bilhões para R$ 8,7 bilhões, impactando a vida de milhares de pessoas na capital e no interior do estado."

Há algum tempo, a vereadora petista Neila Batista, em artigo intitulado "MG: Quase um Estado de exceção" afirmou que "o silêncio da Assembléia Legislativa de Minas, com exceção das poucas vozes do PT e do PC do B, e o pacto da maior parte imprensa regional, que se engajou em sua carreira rumo à Presidência da República confirmam a regra... ou a exceção"

Fragilizando instituições caras ao jogo democrático, ignorando a importância do sistema partidário e “fazendo uso de uma máquina de marketing inigualável no país”, a "novidade" que vem das alterosas é a melhor expressão do mandonismo risonho que segue à risca os preceitos neoliberais.

Seria interessante que Aécio aproveitasse a segunda metade do mandato para redemocratizar o Estado, dialogar com os movimentos sociais e, se der tempo, conhecer Minas Gerais. É uma das unidades federativas mais ricas do país. Bem mais surpreendente que as noites do Leblon.



Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observatório da Imprensa