13 novembro 2008

Espero que ele não seja levado a sério....

Espero que ele não seja levado a sério....

Se isso acontecer, a crise voltará. E como tapar um buraco na rua jogando apenas o piche, a chuva vem, a chuva vai...e lá está o buraco de novo.

Bush pedirá que mercado seja consertado, não desmantelado

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, na véspera da cúpula do G20 sobre a crise financeira global, planeja pedir para que os problemas sejam resolvidos, em vez de desmantelar o sistema existente, informou a Casa Branca na quarta-feira.
Bush irá a Wall Street na quinta-feira para delinear suas visões sobre o mercado financeiro e a economia mundial, antes de receber os líderes do Grupo dos 20, que reúne as principais economias desenvolvidas e em desenvolvimento, em Washington.
Os líderes vão se encontrar na sexta-feira e no sábado para começar os esforços para revisar a arquitetura financeira global.
Os governos já alocaram centenas de bilhões de dólares nos mercados, na tentativa de descongelar os mercados, acalmar os operadores e evitar que a economia caia em recessão.
"Devemos consertar os problemas que temos em vez de desmantelar um sistema que melhorou as vidas de centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo(uma melhora fantasiosa, esse é bem típico do padrão americano, faz de conta de tenho uma casa.... mas vivo pagando a hipoteca que refinanciei para pagar minhas despesas de cartão de crédito e trocar de carro por mais um leasing novo, que vou dever para o resto da vida)", disse Carlton Carroll, porta-voz da Casa Branca, adiantando a fala de Bush.

Fonte: Reuters

Política de Ensino Tucana

Política de Ensino Tucana

Turno da fome é reduzido para 1h20m em escola estadual da zona sul de SP

SÃO PAULO - O turno da fome, período intermediário onde os alunos têm aula em plena hora do almoço, foi reduzido de 3h40m para 1h20m na Escola Estadual José Porfírio da Paz, no Parque Novo Santo Amaro, região do Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo. Tudo porque a escola, em pleno ano letivo, passa por obras de ampliação. Parte dos alunos ficam no local entre 11h e 12h20m. A outra parte 'freqüenta' as aulas entre 12h40m e 14h.
- Vou porque eu não quero faltar. Quero ficar bem inteligente - diz uma aluna da 1ª série.
- Não tem cadeira na sala de aula, mas a gente pega no pátio alguma coisa para sentar - diz outra aluna, da 3ª série.
As obras tiveram início na semana passada e devem durar até fevereiro do ano que vem. Os pais reclamam da dificuldade dos filhos aprenderem por conta do pouco tempo em sala de aula.
- Não aprendem o suficiente. Como é que dá para aprender alguma coisa? - questiona Antônio Francisco dos Santos.
Maria Ligia Branco Belizário, diretora regional de ensino da zona sul II, afirmou que desconhecia o fato, mas disse que o problema foi resolvido e os alunos já voltaram a ter aula normalmente. A diretora da escola, no entanto, havia informado os pais que o horário seria reduzido por mais duas semanas.

Enviado por Gaia

DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL

DO MUNDO VIRTUAL AO ESPIRITUAL


Frei Betto


Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz felicidade?'

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu: 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei: 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde'. 'Não', retrucou ela, 'tenho tanta coisa de manhã...' 'Que tanta coisa?', perguntei. 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina', e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela não disse: 'Tenho aula de meditação!'

Estamos construindo super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!

Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais...

A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito. Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções - é um problema: a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos. A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis,­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá! 'O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma su­gestão. Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele não tem aonde ir!

O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista.

Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, auto-estima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...

Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald's...

Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático. 'Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: 'Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.'

12 novembro 2008

Demolindo as matérias do Valor Econômico pró-Serra desta segunda, 10/11/2008

Demolindo as matérias do Valor Econômico pró-Serra desta segunda, 10/11/2008

Seguem abaixo duas matérias publicadas pelo Valor Econômico (cadernos Brasil e A) desta segunda-feira,10/11/2008, respaldando a candidatura Serra para 2010, comportamento este assumido por quase a totalidade da mídia brasileira.
São precedidas de uma análise do companheiro Eduardo Marques, da assessoria econômica da Liderança do PT na Assembléia paulista, que contesta os números citados pelo jornal.

Caros amigos (as):

Realmente a tal convergência de opiniões da mídia nativa está se dando rapidamente em torno de Serra. "Não querem cometer os erros de 2006".
Os números apresentados pela matéria do Valor Econômico não batem de forma alguma.
Além do fato de que o PAC não se resume apenas a investimentos do Orçamento da União, a comparação feita pelo Jornal, provavelmente, acrescenta os recursos investidos pelas empresas estatais paulistas (Metrô/CDHU/Sabesp), mas não inclui os investimentos das empresas estatais federais (Petrobrás/Eletrobrás, etc.). Desde já destacamos que o Sistema de Gerenciamento do Orçamento do Estado não nos permite analisar os investimentos efetuados pelas estatais paulistas. Como todas elas, com exceção da Sabesp, dependem dos repasses do Tesouro Paulista (através das inversões financeiras), os valores não podem diferir muito do quadro comparativo abaixo apresentado.

Neste caso, estamos utilizando as mesmas bases comparativas, com os seguintes parâmetros:
a) valores obtidos nos relatórios do Segundo Quadrimestre da LRF (até agosto de 2008), bem como coerentes com o SIAF (Federal) e o SIGEO (Estadual);
b) valores apenas constantes dos Orçamentos Diretos da União e do Estado de SP;
c) investimentos considerados = investimentos diretos + inversões financeiras;

Conforme veremos, os recursos executados em 2008 não são aqueles apresentados pela matéria do jornal. Os valores empenhados no PAC (sem as empresas estatais federais) é superior aos recursos empenhados pelo Governo Estadual. O percentual dos investimentos liquidados pelo Governo Federal, em relação às despesas totais, também é superior aos valores liquidados pelo Governo Estadual.


Eduardo Marques
assessoria de finanças e orçamento - Liderança do PT na ALESP

valores publicados no Relatório da LRF (2o. Quadrimestre 2008) - (em mil R$)

(1) investimentos + inversões financeiras

Governo Federal
empenhado até ago/2008 = 50.738.448
liquidado até ago/2008 = 29.791.743


PAC (apenas orçamento direto da União)*
empenhado até ago/2008 = 10.367.095
liquidado até ago/2008 = 2.196.497

Governo Estadual
empenhado até ago/2008 = 6.423.602
liquidado até ago/2008 = 3.324.255

(2) despesas totais (em mil R$)

Governo Federal
empenhado até ago/2008 = 777.290.106
liquidado até ago/2008 = 534.418.547

Governo Estadual
empenhado até ago/2008 = 75.429.158
liquidado até ago/2008 = 65.739.712

% (1) / (2)

Governo Federal
empenhado até ago/2008 = 6,53%
liquidado até ago/2008 = 5,57%

Governo Estadual
empenhado até ago/2008 =
8,52%
liquidado até ago/2008 = 5,06%

* sem considerar o orçamento-investimento das empresas estatais (Petrobrás / Eletrobrás) - valores do SIAF, obtidos no sistema SIGA do Senado Federal

1ª matéria - caderno Brasil
Valor Econômico - 10/11/2008, segunda

De olho em 2010, Serra investe mais que o PAC

Cristiano Romero, de Brasília

Com uma gestão fiscal agressiva, que combina forte elevação de receitas, sem aumento de impostos, e rígido controle de despesas, o governador José Serra (PSDB) está investindo, em São Paulo, mais do que o governo federal em todo o país com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). No ano passado, o governo paulista investiu R$ 9 bilhões, face a R$ 8 bilhões gastos efetivamente pela União com o PAC. Neste ano, está desembolsando R$ 12,7 bilhões - até outubro, segundo dados oficiais, o governo federal havia liberado apenas R$ 8,2 bilhões para seu programa prioritário.
Quando assumiu o cargo, em janeiro de 2007, Serra constatou que São Paulo tinha capacidade limitada de investimento - algo entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões por ano em recursos do orçamento fiscal, ou seja, sem levar em conta o dinheiro das estatais. Por essa razão, o governador procurou rapidamente criar fontes alternativas. Em menos de dois anos, obteve R$ 17,7 bilhões adicionais a partir de cinco medidas específicas.
A primeira delas foi a venda à Nossa Caixa , por R$ 2 bilhões, da folha de pagamento do funcionalismo estadual. Depois, aproveitando-se do fato de ter herdado do antecessor, Geraldo Alckmin (PSDB), as contas do Estado em ordem, Serra solicitou ao Ministério da Fazenda autorização para tomar R$ 6,7 bilhões em novos empréstimos. A Fazenda e o Senado Federal aprovaram o pleito do Estado.
No fim do ano passado, o governo paulista engordou o caixa com mais R$ 2 bilhões ao licitar, em regime de concessão à iniciativa privada, o trecho Oeste do Rodoanel. No início deste ano, Serra pediu ao governo federal nova autorização para elevar o endividamento, dessa vez em R$ 3,5 bilhões. Novamente, a Fazenda, numa prova de que o governo Lula está cooperando com o adversário político, concordou com a solicitação, que, para entrar em vigor, depende agora da aprovação do Senado. Em conversas com assessores e amigos, Serra diz que é grato ao empenho e à correção do ministro Guido Mantega no atendimento a suas reivindicações.
Os recursos de São Paulo devem crescer nas próximas semanas e meses, com a venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil , uma operação que poderá render quase R$ 5 bilhões ao governo paulista, dono de 71% do capital daquele banco estatal, e com a privatização da Companhia Energética de São Paulo ( Cesp ), medida que ainda depende de decisão do governo federal - como o prazo de concessão de duas usinas da estatal paulista expira em 2015, Serra solicitou prorrogação da licença, do contrário, não haverá interesse de investidores privados no negócio; como há 18 usinas e 37 distribuidoras de energia na mesma situação, o governo Lula decidiu estudar uma regra geral e encaminhá-la ao Congresso Nacional.
Outros recursos para investimento estão vindo da gestão do caixa do governo de São Paulo no dia-a-dia. Serra controla com mão-de-ferro os gastos com pessoal, que cresceram, de janeiro a agosto, apenas 1,7% em termos reais - essa postura tem lhe rendido inúmeras e ruidosas greves de funcionários, como a dos policiais civis, que terminou em conflito com a Polícia Militar.
A política salarial leva em conta os resultados de cada unidade gestora. "Na área de Educação, vamos avaliar não o processo, mas o resultado. As crianças estão aprendendo? Se estiverem, todos daquela unidade escolar serão remunerados com base em resultados", explicou, em entrevista ao Valor, o secretário estadual da Fazenda, Mauro Ricardo. "Não permitimos um descolamento em relação à despesa com pessoal e encargos sociais."
Em outra ponta, o governador aposta no aumento da arrecadação sem criar impostos ou elevar alíquotas (a receita tributária avançou, nos primeiros oito meses do ano, 13,5% acima da inflação) e coloca a máquina para gastar (a despesa corrente total subiu 7,2% no mesmo período, com destaque para os investimentos, que avançaram 11,6% em termos reais).
"Desde que assumimos, temos procurado ampliar as receitas e promover ações para redução de despesa, de tal maneira a criar um espaço importante para investimentos, em especial, em infra-estrutura", disse o secretário da Fazenda. "O governo de São Paulo tem que fazer a sua parte no crescimento do Estado. Focou em duas questões importantes para apoiar o desenvolvimento: infra-estrutura e qualificação da mão-de-obra", explicou o secretário de Planejamento, Francisco Luna.
Para reduzir as despesas, Serra cortou 15% dos cargos em comissão, gerando economia anual de R$ 77 milhões. Renegociou contratos, economizando, segundo Mauro Ricardo, mais de R$ 600 milhões. Além disso, instituiu a contribuição dos servidores para a previdência pública, obrigando ativos, inativos e pensionistas a pagarem 11% sobre seus vencimentos. Em seguida, criou a SPPrev, o instituto que vai administrar não só as aposentadorias dos funcionários do Poder Executivo, mas também as do Legislativo e do Judiciário estaduais. "Nem o governo federal fez isso, apesar de ter tomado a iniciativa de instituir a medida na Constituição", comparou o secretário.
Outro esforço feito para aumentar as receitas foi a realização de uma auditoria em toda a folha de pagamento, medida que reduziu em quase R$ 400 milhões os gastos do Estado com salários que vinham sendo pagos de forma indevida. A exemplo do governo federal, Serra tornou obrigatória a licitação por meio de pregão eletrônico, o que teria provocado, de acordo com Mauro Ricardo, redução de 28% nos preços negociados anteriormente.
Do lado da receita tributária, o governo estadual promoveu um amplo programa de parcelamento de débitos - R$ 8,4 bilhões já foram renegociados pelos contribuintes, gerando pagamento à vista ao tesouro estadual de R$ 1,1 bilhão. Além disso, Serra instituiu a Nota Fiscal Paulista, um programa inovador que permite aos consumidores receberem de volta 30% do ICMS pago na compra de mercadorias.
"Com esse programa, mantemos o controle do movimento econômico das empresas, combatendo, com isso, a sonegação no comércio varejista. O contribuinte vira parceiro do Estado no acompanhamento do recolhimento do imposto", comentou Mauro Ricardo. No mês passado, a Fazenda estadual fez a primeira devolução semestral, ao custo de R$ 270 milhões, para 13 milhões de pessoas, que escolheram onde receber o dinheiro (na conta bancária ou de poupança, na fatura do cartão de crédito ou como crédito para o pagamento do IPVA).
Além dessas medidas, o governo Serra lançou um programa de sorteio de prêmios, ao custo de R$ 1 milhão por mês, para estimular os contribuintes a cobrarem dos comerciantes o fornecimento de nota fiscal. Implantou também o regime de substituição tributária, sistema em que o imposto é pago na indústria, em 13 setores da economia. "A sonegação no varejo leva à sonegação em cadeia. Se o varejo emite nota, também não tem nota contra ele do atacadista nem da indústria", disse o titular da Fazenda estadual.
A contração de novas dívidas só foi possível graças à herança deixada pelo antecessor de Serra, que fez em seu mandato uma gestão fiscal austera. Em 2002, a relação entre dívida consolidada líquida e receita corrente líquida no Estado de São Paulo era de 2,27, acima, portanto, do teto estabelecido pelo Tesouro Nacional. Quando Serra assumiu, essa relação estava em 1,89. Em agosto deste ano, já havia caído para 1,63 - a tendência nos próximos meses é que ela suba, graças à alta da inflação medida pelo IGP-DI, o indexador das dívidas estaduais.
Mesmo aumentando os gastos correntes, puxados pelos investimentos, o governo estadual está numa situação confortável do ponto de vista do equilíbrio das contas públicas. A meta de superávit primário exigida pela União para São Paulo é de R$ 4,2 bilhões em 2008. Até agosto, a economia feita já havia chegado a R$ 17,1 bilhões. Amparado nesses números, o governo Serra ampliou em R$ 10,2 bilhões, em dois anos, a capacidade de endividamento do Estado.
"Quando assumimos, graças a uma boa gestão fiscal do governo anterior, identificamos que tínhamos limite suficiente para tomar R$ 6,7 bilhões em novos empréstimos. Concentramos os pedidos no Banco Mundial, no Banco Interamericano de Desenvolvimento, no Japan Bank for International Cooperation (JBIC) e no BNDES . Todos já foram negociados com as entidades internacionais e uma parcela grande dos recursos será usada no próximo ano", detalhou Luna.
A expectativa é investir R$ 18,2 bilhões apenas em 2009, 50% a mais do que está sendo aplicado neste ano. Segundo Mauro Ricardo, a ambição de Serra é elevar a participação dos investimentos nas despesas correntes para 12%. Em 2003, ela era de 4,73%. Em 2008, está chegando a 9,38% e, no ano que vem, se tudo der certo, atingirá 10,82%. Luna não acredita que a crise internacional vá prejudicar os planos de investimento, porque a maioria dos recursos virá de organismos internacionais.
"Sempre que se faz o orçamento, primeiro, colocam-se as despesas correntes, depois o que sobra é jogado para investimento. A partir deste ano, estamos fazendo o contrário. Agora temos metas de investimentos e a sobra vai para as despesas correntes", assegurou Mauro Ricardo.
Além de privatizar, por meio de concessões e alienação, o governo Serra está recorrendo a Parcerias Público-Privadas (PPPs) para tocar obras e projetos nos quais o setor privado não tem interesse. O primeiro projeto foi o da Linha 4 do Metrô. "O Estado constrói a linha e o setor privado compra os trens e opera", contou Luna.
Em Taiaçupeba, distrito de Mogi das Cruzes (SP), a Sabesp , a companhia estadual de água e esgoto, firmou PPP com uma empresa para explorar e produzir água, vendendo-a, por atacado, à própria estatal, por um preço pré-estabelecido. Até o fim do ano, o governo pretende lançar os editais, também por meio de PPP, para a reforma de trens antigos e a compra de novos vagões para a linha 8 (Diamante), da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Além disso, planeja o lançamento de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) para a região da Baixada Santista.

2ª matéria - caderno A
Valor Econômico - 10/11/2008, segunda

Provável candidato à Presidência da República em 2010, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), trabalha obstinadamente para construir sua plataforma de campanha. Desde que chegou ao Palácio dos Bandeirantes, combina uma gestão fiscal agressiva, para elevar receitas e investimentos, com um rígido controle de despesas, que inclui o arrocho salarial do funcionalismo - origem de algumas greves de servidores.
Com essa política, Serra está investindo em São Paulo mais que o governo federal em todo o país com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que é coordenado pela ministra Dilma Rousseff (PT), sua provável adversária em 2010. No ano passado, o governo paulista investiu R$ 9 bilhões e o PAC, R$ 8 bilhões. Neste ano, desembolsou R$ 12,7 bilhões até outubro, enquanto o governo federal liberou apenas R$ 8,2 bilhões para seu programa prioritário.
Ao assumir o governo estadual em 2007, Serra constatou que São Paulo tinha capacidade limitada de investimento - entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões por ano em recursos do orçamento, sem levar em conta o dinheiro das estatais. Por essa razão, procurou rapidamente criar fontes alternativas. Em menos de dois anos, obteve R$ 17,7 bilhões adicionais. Com isso, está elevando em 135%, de R$ 5,9 bilhões para R$ 13,9 bilhões, a média anual de investimento do Estado no período entre 2007 e 2010, quando se consideram inclusive os dispêndios das estatais.
Entre janeiro e agosto, a receita tributária do Estado cresceu 13,5% em termos reais e os gastos correntes avançaram 7,2%, enquanto a despesa com salários e encargos sociais aumentou apenas 1,7%.
Para obter mais recursos, Serra desinterditou o debate das privatizações, rejeitado por seu próprio partido desde a campanha presidencial de Geraldo Alckmin em 2006. Fez concessões à iniciativa privada e reforçou os recursos para investimento. Sua batalha atual é pela venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil, com a qual espera arrecadar R$ 5 bilhões para novos investimentos. E também briga para conseguir no governo federal condições para vender a Companhia Energética de São Paulo (Cesp).

Comentário Vera: Eu queria que o Jornal ou alguém pudesse me informar aonde o Serra gastou os 9 Bilhões...... Alguém viu???? Alguém teve noticia? A única coisa que sei, e que vou ter que encarar quase o dobro do Pedágio, quando sair de Bauru pela Marechal Rondon para ir visitar minha família em São Paulo, graças a mais umas privatizações.
E isso porque ainda falta vir o investimento DEM/TUCANO, com a implantação do pedágio nas Marginais ou alguém tem dúvida que isso não vai ocorrer?


Obama e o muro anti-América Latina

Obama e o muro anti-América Latina


Barack Obama está sendo festejado, pela vitória nessas eleições históricas nos EUA, por velhos amigos e por velhos inimigos.

Houve até uma nota assinada por Hugo Chávez, presidente da Venezuela, que mais frequentemente insulta do que elogia o ocupante da Casa Branca.

Como muitos outros presidentes latino-americanos, Chávez manifesta esperanças de que o governo Obama trabalhará para melhorar as relações na região.

O presidente da Venezuela resume o significado daquela vitória eleitoral: "é sinal de que a era de mudança que já se implanta na América do Sul pode estar chegando às portas dos EUA".

Parece ter razão.

Ao longo dos dois últimos anos, a América Latina vem assistindo ao fim de 60 anos de unipartidarismo no Paraguai, à eleição do primeiro presidente indígena na Bolívia, e o Chile já elegeu uma mulher à presidência, pela primeira vez na história.

'Movimento à esquerda'

O que tem sido definido, em geral, como "um movimento à esquerda" é resultado de várias e diferentes circunstâncias históricas e envolve pessoas e países com diferentes histórias e personalidades.

Em profundidade

Trata-se de uma dinâmica que também foi estimulada por instituições multilaterais, como a Unasul, União das Nações Sul-Americanas, que estreou com importante intervenção diplomática na crise constitucional boliviana.

Num momento crucial, aquele grupo conseguiu aproximar países politicamente diversos (Venezuela e Colômbia, por exemplo), que se comprometeram com respeitar a integridade territorial da Bolívia e a legitimidade de seu processo democrático.

Não há dúvidas de que a entidade supranacional desempenhou papel importante no movimento de evitar que aquela crise degenerasse.

Washington foi notável ausência, naquele processo.

Muitas das mudanças têm sido vistas como 'respostas' locais às políticas norte-americanas para a Região, sobretudo contra as agressivas políticas ditas neoliberais reunidas sob o título geral de "consenso de Washington".

Do norte, só vieram respostas confusas ou de declarada agressão, e o embaixador dos EUA na Bolívia foi acusado de intervir diretamente na campanha eleitoral, quando declarou que a eleição de Evo Morales afetaria gravemente as relações entre Bolívia e EUA.

Acertou a predição – embora por vias bem pouco diplomáticas.

Um ponto de vista local

A crise econômica em curso não recomenda nem sugere a possibilidade de qualquer "separação" econômica entre EUA e a América Latina, mas talvez já tenha sugerido fortemente alguma espécie de "separação" política.

Ocupada em tempo integral com duas guerras, Washington tem tido pouco tempo para dar atenção ao sul, e esse distanciamento foi acentuado pelo modo como a administração Bush atuou, de fato em todo o mundo, nos últimos oito anos.

Nos casos em que a América Latina apareceu no radar, as questões foram tratadas exclusivamente sob a perspectiva dos interesses domésticos dos EUA.

Embora 1/3 da população dos EUA – proporção que aumenta todos os dias – já seja constituída de hispano-hablantes, a idéia dominante nos EUA, sobre a América Latina, ainda está fortemente marcada pelo duplo espectro do tráfico de drogas e da imigração.

Os hispânicos, que são hoje a maior minoria nos EUA, ganharam voz pública e visibilidade, mas essa mudança ainda não está sendo nem considerada nem avaliada em todas as suas ramificações e conseqüências, nem é universalmente celebrada.

A deriva demográfica, somada à incerteza no campo econômico, gerou um discurso histérico sobre a imigração.

Esse discurso histérico está todas as noites nos noticiários norte-americanos, e ninguém duvida que é discurso dirigido à América Latina.

Antes da crise das finanças, muitos previam que as relações com a América Latina viessem a ser o tema dominante na campanha presidencial.

Não se chegou a isso. Mas – e sem qualquer repercussão na mídia (nem nos EUA nem na América Latina) – os 'problemas com o sul' geraram um dos mais dramáticos movimentos unilaterais do atual governo Bush: a decisão de construir um muro ao longo da fronteira sul dos EUA.

Cercar as fronteiras

Com 6.000 quilômetros a vigiar, o muro é obstáculo mais simbólico do que praticamente efetivo.

Como resposta política, os muros têm triste e vergonhosa história, e simbolizam coisas diferentes, conforme o lado em que se esteja, de cada muro.

Mais do que sinal de que os EUA tentam isolar-se, e visto do sul para o norte, o muro é clara rejeição de qualquer possibilidade de discussões multilaterais.

O subtexto mais sinistro, do ponto de vista dos EUA, é que o muro está sendo construído como uma última barreira contra a influência cultural, que chega com os imigrantes e que já está modificando irreversivelmente a sociedade norte-americana.

Obama votou contra a guerra do Iraque, mas votou a favor da construção do muro – movimento que caminha na direção oposta à percepção de todos, no mundo, de que sua história pessoal o tornaria menos cego, menos preconceituoso e mais conciliatório 'por natureza'.

Refrão sempre repetido pelos líderes latino-americanos, exceto na Colômbia – único país que teria a perder com qualquer mudança na política dos EUA para a América Latina – insiste em que nem o muro nem os bilhões de dólares consumidos na guerra aos traficantes conseguiram aplacar a demanda, nos EUA, por drogas ilegais e por mão-de-obra barata.

A América Latina tem sido alvo da propaganda dos lobbies que se rendem a importância dessa demanda econômica e trabalham para implementar solução unilateral para mais esse problema complexo, e que atacam a produção e a oferta de drogas e de mão-de-obra barata, mas não a demanda.

Deve-se esperar que as promessas feitas por Obama, em campanha, de buscar espaços comuns e soluções multilaterais, avance também para além das fronteiras dos EUA.

Deve-se esperar que, depois de empossado, o presidente Obama tenha tempo para olhar para o sul e ver além do muro, para reconhecer o mesmo movimento, as mesmas circunstâncias – animado, também o próprio Obama, pelo mesmo desejo de mudança – que o levou à Casa Branca.

Fonte: Al-Jazeera, 10-11/11/2008, Will Stebbins [editor chefe de America].

PROJETO CIDADE LIMPA – A REAL DA GUERRA *

PROJETO CIDADE LIMPA – A REAL DA GUERRA *
Ou Feios, Sujos & Malvados


- Que banco que nada, banco é lugar de malandro ou de namorado, eu durmo é aqui na beira do lago, ainda escuto o barulhinho da água, parece o do riacho perto de casa lá em Piracicaba – diz o paulista Francimar Matias, 42, morador de rua do centrão de SP, que acaba de escolher sua nova cama no jardim da Praça da República, reinaugurada há cinco dias. Nascido no Sudeste como a maioria dos sem-teto e mendigos da cidade – é o que revelam as pesquisas do gênero desde 2004-, Francimar, esfarrapado mas altivo, camelô de bugigangas e discos piratas na 7 de Abril, é uma das milhares de evidências demasiadamente humanas de que o urbanismo à prova de miseráveis da gestão Kassab (DEM) não tem conseguido limpar os "feios, sujos e malvados" das passagens públicas como desejava.

Para namorar, os poucos bancos da novíssima República, uma das praças mais importantes da paulicéia, também não servem. Entre o pombinho e a pombinha existe uma barra de ferro que impede, digamos assim, um beijo mais aconchegante ou até o mais pudico dos amassos. Os novos arquitetos da destruição amorosa nem pensaram no afeto que se encerra lindamente no passeio público. A idéia explícita era apenas consolidar a guerra antimendigo ou antivagabundo, como diria o próprio alcaide. A tentativa de limpa começou com uma rampa antipobreza na região da avenida Paulista e seguiu na perseguição a mendigos de Higienópolis, ainda na gestão Serra, depois abriu um fosso antibanho na fonte da Sé, desenhou os novos bancos na praça dom José Gaspar e continua firme no mandato do vice que assumiu o comando.

O ideólogo da tentativa maluca de higienização do centro –como se fosse possível varrer a miséria com maquiagens urbanas de empreiteiras- chama-se Andrea Matarazzo, batismo mais imigrante impossível na cosmopolita SP, o supersecretário, a eminência parda, quase o prefeito da cidade, homem-forte deixado no cargo das subprefeituras pelo ex-prefeito e hoje governador do Estado –uma maneira de continuar, de certa forma, no controle do município ou, no mínimo, monitorando as ações do ex-pefelê Kassab.

O que ele, o ideólogo, tem dito sobre a tentativa frustrada de limpeza nas ruas? As aspas são as de sempre: não há política contra mendigo ou sem-teto, apenas uma forma de garantir o espaço público para todos, o projeto original da República, do começo do século passado, não tinha bancos blábláblá etc.

Um aviso aos transeuntes: os mais gordinhos também não cabem entre os arcos de ferro que fragmentam os bancos de madeira da nova República. Só valem para sentados e de espinhas eretas. Os gastos de R$ 3,1 milhões resultaram numa praça apenas dedicada a passantes. É um tapa na invenção da praça grega e pública. A polícia e a Guarda Municipal cuidam de reafirmar o conceito urbanístico aos desavisados: "Circulando, circulando, circulando".

- Fui deitar ali no chão, ontem de tarde (na última sexta-feira), e tomei nas orelhas de um policia - conta Edevaldo Filgueiras, 40, mineiro de Araguari. Assim como Francimar, que deixamos lá na cumeeira desta pirâmide social invertida, apenas um desses tantos refugos dos novos tempos, mix de seguidos desempregos, desilusões, desordem na família, algumas doses de álcool a mais e a ressaca desencantadora das ruas. E não me cabe aqui a guerra moral das ligas das Senhoras Católicas ou Evangélicas. Filgueiras foi desandado e desandou. Ponto.

Jonas, nome para lá de fictício, foi mais além: entrou no crack e dorme no chão da nova praça, sob o olhar austero do sr. Luiz Lázaro Zamenhof, que vem a ser o criador do Esperanto, a língua utópica do mundo todo, e habita a praça na condição de estátua suja de merda de pombo. Jonas tem apenas 25 anos, fala como se fosse um personagem urbano de Guimarães Rosa, nonada, uns grunidos, bem feito para o cronista, quem manda chegar na vida alheia e que só a ele pertence –inclusive para decidir sobre o seu cachimbo!- cheio de perguntas. Há um sorriso alucinado por detrás daquela nuvem de fumaça azulada na noite dos nóias, como são denominados os Jonas nada bíblicos, corruptela de paranóia, de São Paulo.

Difícil alguém assumir que é mendigo no chão da praça. Tem muito catador de papel, camelô bissexto, gente que até tem família nos arredores da capital, os nóias, claro, ladrões de pouca importância, pois ali não dorme assaltante de bancos ou grandes valores e ninguém acusado de enriquecimento ilícito. Haja descuidistas e um magote de gente sem grana para ir e vir de trem e ônibus diariamente dos arredores de SP, como o casal Arimatéia Soares, 44, paulista de Mauá, na região metropolitana, e Lúcia Pontes (este repórter se recusa a perguntar idade de mulher, não insistam!), baiana de Vitória da Conquista.

Donos de uma banca quase virtual de confecções, Arimatéia e Lúcia ficam dois dias seguidos no centro e voltam para dormir uma noite no "barraco" em Carapicuíba, na região metropolitana. Quase virtual? Sim, quem flana, como este cronista, ou quem trabalha no centrão de SP sabe como funciona hoje a venda dos camelôs. Eles ficam nas ruas exibindo cartelas com fotos das mercadorias, para fugir do "rapa", negociam com os fregueses e vão buscar os produtos entocados em corredores de edifícios, debaixo de balcões de botecos na área e outros "mocós" secretos.

Sim, você ai, amigo de plantão do conservadorismo ou da higienização de fato, vai me dizer que os moradores de rua poderiam dormir nos abrigos da prefeitura. Tem razão, muitos dormem. Pena que casais como Arimatéia e Lúcia, que deixaram mais dois filhos no "barraco" com uma tia, não podem dormir por lá, é proibido o acasalamento. São cerca de 7 mil vagas para cerca de 12 mil, no mais acanhado dos cálculos de hoje, descobertos que dormem sob o sereno. Como reza o liberalismo clássico, nem todo "homeless" tem saco para enfrentar a burocracia e o "fichamento" dos abrigos, têm direito a circular livremente por onde entenderem. Além da mulher, nem o cachorro, fiel amigo dos viadutos, pode entrar nestas casas públicas de pernoite. Os mendigos alegam também que por lá os roubos são freqüentes. Até usar barba, reparem só, é proibido, têm que cortar os cabelos e ficar "limpinhos" como o sonho feliz de cidade de alguns fascistas.

Mais seguro e honesto mesmo é dormir sob a lua na sarjeta.


* Reportagem e/ou crônica anarco-punk publicada aquém muito aquém de qualquer debate eleitoral/eleitoreiro, na distante data de 26/02/2007. fonte: glorioso site Nominimo, o único a morrer no Brasil por excesso de audiência.



Comentário Sylvia Manzano

Olha, deu vontade de chorar.

E também me lembrei do Projeto Boracéia do tempo da Marta, para catadores de papel e moradores de rua, que tinha canil para os cachorrinhos, agência da Caixa e uma série de ações humanizantes.

Fazia tempo que eu não saí em Sampa à noite e ontem apenas dei uma descida pela Teodoro Sampaio, rua conhecida de Pinheiros e o que vi de “cidade limpa” ali, foi uma escuridão que chegou a dar medo e de novo, vontade de chorar.

Quando vai cair a ficha dos paulistanos é o que me pergunto sem cessar.

Quando Serra deixou a prefeitura menos dois anos depois de eleito e deixou Kassab em seu lugar, eu pensei:

“Agora vai cair a ficha”.

Que nada.

Serra se candidatou ao governo de São Paulo e ganhou a eleição no primeiro turno.

Quando Kassab chegou com 8% nas pesquisas para prefeito, eu pensei:

“Agora caiu a ficha”.

O resto da história todo mundo sabe.

É como se a loucura de Serra de querer ser presidente a todo preço e a qualquer custo, estivesse contaminando a todos.

É claro com uma ajuda implacável da mídia falada e escrita.