24 novembro 2008

Governo lança Portal Federativo



O Governo Federal lançou o Portal Federativo que disponibiliza: Informações sobre os aportes financeiros federais como data de envio e liberação para uso.

Fiscalize seu municipio, seu estado.....

Fiscalize o seu Governo.

Clique aqui


Somente uma observação: Este é o Governo que esta fazendo de tudo para que seja realmente TRANSPARENTE. Agora depende do povo para junto com seus vereadores, deputados e senadores, fiscalizem e cobrem. Façam uma visita.

21 novembro 2008

A Invasão do Brasil pelo USA

A Invasão do Brasil pelo USA


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Barak Obama: mais do mesmo?

Barak Obama: mais do mesmo?

Por Elaine Tavares – jornalista

Tenho acompanhado as declarações de várias lideranças latino-americanas sobre o novo presidente dos Estados Unidos e só posso concluir que estejam sendo extremamente diplomáticas e educadas. Penso que numa situação como esta, quando um novo presidente assume o cargo, deve ser de bom tom dar as boas vindas e fazer prognósticos de mudanças, de bom governo e de bons auspícios. Mas, cá com meus botões, creio que esta gente que hoje dirige países importantes como a Venezuela, Bolívia, Equador e Paraguai - que estão virando o leme e dando passos na direção de uma outra forma de organizar a vida - deveria colocar as barbas de molho.

É fato que a eleição de um homem negro para a presidência dos Estados Unidos é um acontecimento histórico. Quem conhece as práticas da Ku Klux Kan e a faceta racista do país do norte – que inclusive o levou a uma sangrenta guerra civil entre 1861 e 1865, causadora de quase um milhão de mortes - sabe da importância disso. Mas, de que vale ser negro e quebrar um paradigma se não se quebrar a política deste que é um dos partidos mais antigos do mundo, nascido de uma dissidência do que era o Partido Democrata-Republicano, fundado por Thomas Jefferson em 1793? É o que pretendemos questionar!

História de conservadorismo

As eleições nos Estados Unidos foram mostradas de forma exaustiva na televisão. No geral, os editores dos jornais mais importantes da noite esbanjaram a visão de suas mentes colonizadas. Sequer falaram dos demais candidatos, como se só os partidos Republicano e Democrata estivessem participando do pleito. Pois havia mais gente no páreo. Disputaram ainda dois candidatos independentes (lá é possível ser candidato sem partido), um do Partido da Constituição, um do Partido da Liberdade, um do Partido Socialista e uma candidata do Partido Verde. E o mais grave é que na reportagem da Rede Globo, William Bonner divide o Congresso estadunidense entre a bancada democrata, a bancada republicana e uma pequena parte "sem posição". Ora, os 4% não são sem posição, eles tem posições muito claras, diferentes dos partidos dominantes. Já no dia da eleição alguns jornalistas chegaram a momentos apoteóticos, vibrando de prazer com o que chamavam do "regime mais democrático do mundo". Até aí tudo bem, são propagandistas a soldo. Cumprem seu papel. Por isso cabe a imprensa alternativa estabelecer um olhar crítico.

A história do povo dos Estados Unidos contempla um passado glorioso. O país foi a primeira colônia neste continente a se libertar e criar uma nação, e tudo isso fruto de movimentos e revoltas populares, como bem conta o historiador Howard Zinn, no seu livro "A Outra História dos Estados Unidos". Mas, o que ficou nos registros e na memória das gentes foi o conto da bravura e do heroísmo dos "Pais da Pátria", como George Washington, Benjamin Franklin, Abraham Lincoln e Thomas Jefferson. O resultado deste momento fundador da democracia foi a destruição bárbara dos povos originários e o enriquecimento destas lideranças lideranças. A Constituição do país, datada de 1787, que ainda hoje faz aflorar lágrimas aos olhos dos "defensores da liberdade", foi, no entender do historiador Charles Beard, citado por Zinn, um documento que serviu para atender aos interesses bem demarcados de determinados grupos dominantes e que deixou de fora os anseios de praticamente metade da população.

Pois foram estes interesses que levaram à fundação do Partido Democrata-Republicano em 1793, aglutinando a classe dominante até 1836, quando houve um racha a partir das posições de Andrew Jackson que, então presidente, decidiu acabar com o Colégio Eleitoral e não acatar as decisões do Congresso, além de permitir a invasão, por brancos, de milhares de hectares de terras indígenas, expulsando-os para longe de seus lugares originários. Foi no seu governo que houve a diáspora da brava nação Cherokee. Com a criação do Partido Democrata, Jackson passou à história como primeiro presidente deste partido. A gênese da divisão não teve nada a ver, portanto, com divergências ideológicas de fundo, embora alguns analistas avaliem que o partido saiu da órbita conservadora, passando a liberal no início do século XX. Mas, os fatos mostram que não é bem assim.

As políticas dos democratas

O segundo presidente democrata que tem especial participação na vida dos povos da América Latina. Foi Thomas Woodrow Wilson , que governou os Estados Unidos de 1912 a 1921, atravessando a primeira guerra mundial. Ele jurou manter o país fora do conflito mas acabou justificando a entrada na guerra com o mesmo velho mantra defendido por quase todos os presidentes intervencionistas: "é para garantir a democracia no mundo". Sempre foi chamado de idealista lá no seu país e até ganhou o Nobel da Paz por sua atuação no fim da primeira guerra. Foi durante seus mandatos (cumpriu dois), que disseminou a doutrina da "livre determinação dos povos", um belo discurso que ele mesmo não cumpriu na prática. Wilson comandou várias intervenções militares na América Latina, invadindo o México durante o processo da gesta histórica de sua revolução popular em 1914, e depois a Nicarágua, o Panamá, a República Dominicana e o Haiti. Os motivos: garantir a democracia. Pois sim!

Depois dele, outro presidente democrata assumiu importante papel na vida das gentes. Foi Franklin Delano Roosevelt, que acabou enfrentando a grande crise de 29 empregando o que ficou conhecido como "new deal", uma espécie de novo pacto com reformas que, de alguma maneira, estabilizaram o sistema para a proteção do mesmo. Seu programa protegia os grandes donos de terra e o empresariado, mas também oferecia sufuciente ajuda aos empobrecidos, evitando com isso uma explosão social. Foi no seu mandato também que os Estados Unidos viveram a segunda grande guerra, considerada uma das mais populares naquele país, uma vez que mais de 18 milhões de soldados foram mobilizados e grande parte da população contribuiu com a compra de bonus. A economia reaqueceu e a crise foi superada. Foi Roosevelt que, junto com Churchil e Stalin, assinou o tratado de Ialta, que na prática dividiu o mundo entre socialista e capitalista, estabelecendo zonas intocáveis de influência, a famosa Guerra Fria. Foi durante seu governo que assinou uma espécie de decreto (Ordem Executiva) que outorgava ao exército estadunidnese prender sem ordem judicial ou acusação formal todo e qualquer japonês que vivesse na costa oeste do país. No total foram confinados em campos de concentração, dentro dos Estados Unidos, mais de cem mil homens, mulheres e crianças, sendo que três quartos desta gente era nascida no país.

Roosevelt morre em 1945 e assume no seu lugar o também democrata Harry Truman, este responsável pelo maior crime de guerra já perpetrado: a bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki, que matou mais de 200 mil civis, num momento em que o Japão já estava praticamente rendido. Foi ainda no seu governo que foi criada CIA, agência de inteligência responsável por praticamente todos os golpes contra a democracia nos países da América Latina. É deste democrata a também famosa "doutrina Truman", que na prática significava a auto-outorgação do direito de intervir em qualquer país que ousasse enveredar pela via socialista. Por conta disso Os EUA invadiram a Coréia, o Irã, Vietnã e Guatemala e meteram sua colher em outros tantos países de nuestra América, finaciando grupos anti-comunistas. Criou ainda o Plano Marshall, que visava enviar dinheiro para os países, comprando a consciência dos governantes para que não aderissem ao socialismo. Foi o início do processo de atuação dos malfadados "assassinos econômicos", denunciados por John Perkins, que assim agiu durante parte de sua vida. Naquele período os Estados Unidos invadiram a Iugoslávia e a Grécia, em nome da democracia.

Outro momento crucial da vida estadunidense foi vivido neste governo democrata. A Instituição do Comitê de Investigações das Atividades Anti-Americanas, comandado pelo Senador Joseph MacCarthy, uma espécie de caça às bruxas que prendia e destruía qualquer um que fosse acusado de ter idéias comunistas. Foram os anos dourados do império, mas à custa de muita dor, tanto de sua gente como de populações de vários países do mundo.

Outro presidente democrata com uma ficha nada limpa é John Fitzgerald Kennedy, que apesar de até hoje ser considerado o "queridinho da América", foi quem teve de arcar com as consequências da frustrada tentativa de invasão à Cuba organizada pela CIA bem no comecinho de seu governo. É ele também quem aquece o conflito no Vietnã, o que mais tarde vai explodir numa guerra de 10 anos, e invade o Laos. Na América Latina cria a Aliança para o Progresso, que nada mais é do que a sequência do Plano Marshall. Dinheiro à rodo para comprar a fidelidade das elites governantes dos países que os Estados Unidos considera seu quintal.

Ainda nos anos 60 vamos encontrar mais um democrata no poder, Lyndon Baines Johnson, que assume depois da morte de Kennedy. Com ele os Estados Unidos assumem de vez o confronto no Vietnã, com o mesmo velho papo de garantir a democracia. Também invadem o Panamá, a República Dominicana e o Camboja em nome da liberdade.

Jimmy Carter é mais um democrata no poder e foi um dos poucos que tentou a paz . Por conta disso é considerado por alguns analistas como "o mais fraco presidente da América".. Tentou mediar acordos com Israel e Palestina e conseguiu a paz entre Egito e Israel. Foi ele também que assinou, com Omar Torrijos, um tratado que devolvia o canal do Panamá ao povo daquele país, e buscou uma política de distensão com os países comunistas. Assinou tratados com a China, buscou reduzir as armas nucleares e tentou aproximações com Fidel Castro. Ainda assim, enfrentou grande tensão com o sequestro de estadunidenses no Irã e foi no seu governo que conseguiu grandes volumes de recursos para o orçamento militar. Foi com Carter que iniciou na América Latina o processo de abertura, uma vez que quase todos os países viviam ditaduras duramente impostas pelos Estados Unidos. De qualquer forma Carter não é visto como um bom exemplo lá dentro e, segundo seus adversários, foi "muito mole" durante a revolução iraniana além de "permitir", sem criar uma guerra, a ocupação do Afeganistão pela União Soviética.

O mais recente democrata no poder foi William "Bill" Jefferson Clinton, que governou por dois mandatos, entre 1993 e 2001. Visto como simpático galã, charmoso e carismático ele governou agressivamente no que diz respeito a política externa. Invadiu o Iraque, o Haiti, o Zaire, a Libéria, a Albânia, a Colômbia e o Afeganistão. Um currívulo e tanto para um cara "bonzinho".

E então, que será de Obama?

Este é um brevíssimo resumo da história dos democratas - que praticamente em nada se diferem dos republicanos - que governam o país na mesma lógica do "destino manifesto", ou seja, de que há uma missão divina dada aos Estados Unidos de ser o guardião da "democracia" mundial e que, por conta disso, o país pode intervir quando bem entender. É claro que se precisa perceber a palavra democracia aí significando "toda e qualquer ameaça aos interesses das grandes corporações", já que o que está em jogo raramente é o interesse das gentes, mas sim das empresas.

Assim, as esperanças que se colocam sobre o histórico presidente negro do país que é polícia do mundo devem ser relativizadas. A experiência do democrata Jimmy Carter, ridicularizado até hoje por não ter empreendido nenhuma guerra, não é um exemplo que os estadunidense gostariam de ver seguido. Também é bom pensar que lá está estabelecida uma crise financeira sem precedentes e que é comum ao império safar-se das crises com uma boa guerra. Como bem dizia Roosevelt, o Theodore, em 1897, numa carta a um amigo: "em estrita confidência, eu quase que agradeceria qualquer guerra, pois creio que esse país necessita de uma". É preciso estar muito cegado pela ideologia disseminada pelos meios de comunicação para crer que Obama, apenas por ser negro e vir das classes mais empobrecidas, possa deixar de seguir a natureza do seu partido. Basta esperar e já vamos ver suas posições sobre o Iraque, Palestina, Venezuela, Cuba, só para citar alguns. O tempo dirá.

Fonte: Blog da Elaine

A Folha, acreditem se puderem.....

A folha, acreditem se puderem.....

Publicou ontem um excelente artigo do Giuseppe Cocco. Segue, logo abaixo do comentário da Caia, que claro não se conteve.


MEU DEUS! QUE MARAVILHA! QUE MARAVILHA! Re: Grande professor Cocco! Artigo IMPERDÍVEL!

Estou bestificada! Que maravilha! Entendi tuuuuuuuuuuuuuuuuuudo! Grande Cocco!

A Folha de S.Paulo devém jornal IMPORTANTE, INDISPENSÁVEL, NECESSÁRIO, só por ter publicado esse artigo. "Espantosa vida! Coisa vulgar é a morte!" Eu tô bestificada! É muuuuuuuuuuuuuuuuito impressionante o quanto eu NUNCA ME ENGANO! Eu devia ganhar dinheiro com esse meu dom de adivinhar de onde sairão as coisas, antes de elas saírem completamente. Deve ser o meu santo. Pêqmpê! Ou é o meu poder monstruoso, de metrópole na colônia, eu-outros! Meu guru! Grande Cocco! Ave, Cocco! UAAAAAU! Se eu não morrer disso, disso me salvarei. Eia! Sus! Corações ao alto!

Em livre-livre-associação, a imagem que me veio à cabeça, enquanto lia, é-era-endo (é uma doença, em mim, uma fixação infantil, sópódissê!) DA ÓPERA, PêqmPê. Não há solidão maior do que o cara pensar numa ópera, numa hora dessas. Mas que pensei, pensei (e o resto, só a luta ensina). Peqmpê!

Pensei na Cavalleria Rusticana -- a "Honra dos Pobres" --, mais, mesmo, no título da ópera, do que na ópera (que nem é grande coisa, como ópera. Pensei, mesmo, no título: a honra dos pobres). Mas pensei mesmo-mesmo, é claro, nas cenas finais de "O Chefão III" -- momento tão completamente belamente encenado, da "pobrização com honra" (sim, sim, também com tragédia, ok, mas, sobretudo, sem dialética!) daquele mundo lá em que tudo está devindo 'o seu outro', tudo em movimento, nada separado de nada, tuuuuuuuuuuuuuuuuudo o seu "outro", já devindo-outro. E a ópera, no teatro de Palermo, é a Cavalleria Rusticana, tuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuudo hibridizado, naquela cena (e tem até cardeal-financista enforcado, voando lá, feito um DES-anjo!). Mêo! (OK. OK. Calma. Tenho de fazer malas, almoçar, viajar e, à noite, já estarei em Sampa [estou em Porto Alegre], mais organizada. Até lá já estarei mais calma. Perdoem o xchilique. Vai passar.



TENDÊNCIAS/DEBATES
(Folha de S.Paulo, 20/11/2008, p. 3)

Devir-Brasil

GIUSEPPE COCCO

Houve uma reviravolta: a "brasilianização" do mundo passou a significar, do ponto de vista dos países centrais, um retrocesso generalizado

A RELAÇÃO entre o Brasil e o mundo é uma velha história.

Ela diz respeito à própria constituição da economia-mundo pela colonização européia do novo mundo. Contudo, há uma dimensão mundial do Brasil moderno que concerne a um de seus mitos fundadores: seu ser o país do futuro.
Paradoxalmente, nas últimas duas décadas, houve uma surpreendente reviravolta: a "brasilianização" do mundo passou a significar, do ponto de vista dos países centrais, um retrocesso generalizado. Do ponto de vista do Brasil, o futuro passou a ser o próprio Brasil, ou seja, a reiteração globalizada dos fenômenos de desigualdade econômica, fragmentação social, segregação espacial e violência que sempre marcaram a modernização brasileira.
Ora, o duplo pesadelo da brasilianização do mundo só se sustenta pela separação rígida e hierárquica dos pontos de vista. Na realidade, a globalização se caracteriza pela hibridização de centro e periferia, de "progresso" e "atraso", de "inclusão" e "exclusão". O que está no cerne da nova clivagem é a relação com o "outro".
A globalização é atravessada por uma alternativa radical: ela diz respeito a suas dimensões temporais.
De um lado, ela se apresenta como novo despotismo de um mundo reduzido a um único e inevitável futuro.
Futuro que pode coincidir com a catástrofe anunciada: a brasilianização.
Seu tempo é unívoco e linear: o "progresso", que modula uma série infinita de fragmentos sociais e espaciais nas representações abstratas do mercado. Aqui, a relação com o outro, humano (cultura) ou não-humano (natureza), é de dominação: pela destruição ou pela homogeneização.
Por outro lado, a globalização abre-se à multiplicidade dos mundos possíveis. Sua temporalidade é aquela aberta do devir. Aqui, a flexibilidade social e econômica é manifestação de uma plasticidade cuja dinâmica se alimenta da hibridização incessante para dentro e para fora, além do dentro e do fora. A relação com o outro é antropófaga, bem nos termos da proposta revolucionária de Oswald de Andrade e de sua renovação pela antropologia de Viveiros de Castro: absorver o outro e, nesse processo, alterar-se, devir.
Sabemos que o Brasil constitui um enigma para os estudos "mainstream", mas também para os estudos pós-coloniais e os da "colonialidade" do poder. Isso porque o Brasil é, desde logo, pós-colonial, metrópole na colônia. Um poder monstruoso que, desde o início da colonização, se articula por dentro dos fluxos da hibridização, ao passo que a própria hibridização constituiu o terreno privilegiado de enfrentamento e constituição.
Paradoxalmente, portanto, o Brasil se constituiu originariamente numa das maiores experiências coloniais e escravagistas sem, com isso, se encaixar no que os estudos pós-coloniais definem como o paradigma da segregação. O "caldeamento" brasileiro se apresenta como uma potência monstruosa de diferenciação e constituição da liberdade. Mas isso não dissipa o pesadelo da "brasilianização". Como ativar o devir? De que "mundo" estamos falando?
Paulo Arantes lembra que Mario de Andrade costumava dizer que o "luxo de antagonismos" da mestiçagem enaltecida por Freyre e Oswald escondia na realidade uma "imundície de contrastes". Ora, na troca de trocas de pontos de vista, a relação entre lixo e luxo, subdesenvolvimento e desenvolvimento, pobreza e riqueza pode ser não-dialética.
Ou seja, se na "imundície de contrastes" temos o im-mundo do poder sobre a vida (biopoder), da pobreza e do racismo, é nesse mesmo "lixo" da hibridização que há a potência da vida (biopolítica), da significação e, pois, a riqueza do pobre.
Estamos diante daquela mesma alternativa radical: entre a globalização como perda-de-mundo (im-mundo do mercado dos fragmentos, da crise dos valores e de suas "Bolsas") e a produção ilimitada de novos valores, criação do mundo.
Por trás do estigma da brasilianização, temos um devir-Brasil do mundo e um devir-mundo do Brasil: é Lula, presidente retirante e operário que abre o caminho a Obama, presidente "vira-lata" que nunca resolve de maneira identitária a ambivalência de seu devir-mestiço. Mas esse plano é também o da ação afirmativa (política de cotas), da qual participou Obama, que deve consolidar-se no Brasil como terreno constituinte do arco-íris da mestiçagem.
É nessa multiplicidade dos pobres -indígenas, favelados e negros no Brasil; hispânicos, imigrantes e negros nos Estados Unidos- que a libertação aparece como um começo: devir-Brasil do mundo e devir-mundo do Brasil.


GIUSEPPE COCCO , 52, cientista político, doutor em história social pela Universidade de Paris, é professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entre outras obras, escreveu, com Antonio Negri, o livro "Glob(AL): Biopoder e Luta em uma América Latina Globalizada".


São Paulo é a capital mais endividada do país

São Paulo é a capital mais endividada do país


A capital paulista concentrou, em 2007, o maior montante de dívida em relação à sua receita, chegando ao patamar de 199% em débitos. O número posicionou o município como detentor do maior grau de endividamento do Brasil, no longo prazo, em comparação com outras capitais brasileiras. Os números devem causar grande constrangimento para a dupla Serra/Kassab, o atual governador do Estado e o atual prefeito administraram a cidade nos últimos quatro anos e passaram a recente campanha eleitoral fazendo pose de bons administradores enquanto, nos bastidores, a capital paulista se afogava em dívidas.

No ano passado, a Receita Corrente Líquida (RCL) do município chegou a R$ 18,8 bilhões, mas em contrapartida, a Dívida Consolidada Líquida (DCL) ultrapassou a cifra de R$ 37,4 bilhões. A DCL é constituída pelos compromissos de pagamento das operações de crédito e de outras dívidas bancárias, além dos restos a pagar processados, que são compromissos orçamentários assumidos em um exercício, mas que são rolados para anos seguintes.

Em relação as capitais, Salvador (81%), Rio de Janeiro (45%) e Belo Horizonte (44%) aparecem logo atrás do município de São Paulo como detentores das maiores dívidas do país no longo prazo. Na outra ponta, Macapá se destaca por possuir um saldo credor de (25%) de sua Receita Corrente Líquida, seguido por Vitória (22%) e Palmas (20%).

Já no curto prazo, em 2002, eram 14 capitais com receitas inferiores as dívidas. Mas em 2007, apenas oito capitais apresentaram insuficiência de caixa. As duas capitais com maior saldo negativo no ano passado foram Belo Horizonte e Salvador. Isto é, as capitais menos capazes de pagar as suas dívidas são Salvador com saldo negativo de 20,5% de sua receita e Belo Horizonte com 16,3% de diferença entre o débito e o crédito.

Os dados constam do estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM), divulgado ontem, que analisa as finanças das prefeituras do país entre 2002 e 2007. O diagnóstico financeiro foi feito a partir de dados do Finbra, um arquivo disponibilizado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) com os balanços orçamentários e patrimoniais de mais de 90% dos municípios.

A situação financeira dos municípios foi avaliada por dois enfoques distintos: um de curto prazo e outro de médio e longo prazo. No de curto prazo, o conceito utilizado no estudo da CNM para mensurar a habilidade do município de pagar as suas dívidas é a suficiência de caixa, ou seja, a diferença entre os ativos financeiros disponíveis em caixa e as obrigações financeiras assumidas, inclusive, o endividamento feito a partir dos restos a pagar.

Quando os valores em caixa superam as obrigações, o município apresenta suficiência de caixa. Do contrário, apresenta insuficiência. Isto é, a suficiência de caixa mede a capacidade de os recursos em caixa cobrirem principalmente às dívidas procedentes dos restos a pagar processados e não-processados das prefeituras. Já no longo prazo, o estudo avalia a situação financeira pelo grau de endividamento, que é feito mediante a comparação entre a Dívida Consolidada Líquida dos municípios e sua Receita Consolidada Líquida.

Um em cada três municípios está endividado

Segundo a CNM, pouco mais de um terço dos prefeitos do país pode ter problemas financeiros ao final de seus mandatos este ano. Isso porque 33,5% das prefeituras têm problemas de insuficiência de caixa. Em 2002, a situação era ainda pior - metade das prefeituras brasileiras tinha problemas com escassez de recursos em caixa para honrar as despesas do exercício.

Ainda de acordo com a Confederação Nacional dos Municípios, esses dados podem sofrer uma queda em 2009 devido à crise financeira mundial. O alerta é que a situação financeira das prefeituras pode se agravar caso a conjuntura econômica global interfira sobre o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), o imposto de produtos industrializados (IPI) e a transferência constitucional para as prefeituras, composta de 23,5% da arrecadação do imposto de renda (IR).

No total, a suficiência de caixa dos municípios brasileiros, ao final de 2007, somava R$ 14,6 bilhões. No ano passado, dos 5.234 municípios presentes no Finbra, somente 17 tinham dívidas acima do permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que é de 1,2 vezes a sua Receita Corrente Líquida. Um fator positivo é que quase a metade dos municípios não possuía dívidas e ainda era credor, ou seja, tinham recursos sobrando em caixa.

Em uma lista com 17 municípios brasileiros que em 2007 apresentaram DCL maior que 120% de sua RCL, a maior parte (sete) pertenciam ao estado da Paraíba, três ao estado de São Paulo e três da Bahia. Mas a maior variação considerando a receita corrente sobre a dívida consolidada é do município de Ribeirão Preto, em São Paulo, que apresenta taxa de 239%.


Fonte: Contas Abertas / Amanda Costa

Reproduzido do Vermelho

20 novembro 2008

Haddad: Se Estados pobres podem pagar o piso do professor, ricos também podem

Haddad: Se Estados pobres podem pagar o piso do professor, ricos também podem

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira (19), na Câmara, que o governo ficou surpreso com a iniciativa dos governadores de questionarem a costitucionalidade da lei que instituiu o piso salarial nacional dos professores. Eles alegaram deincapacidade orçamentária.

De acordo com o ministro, os cálculos para a fixação do valor de R$ 950 para o piso levaram em conta a realidade dos estados mais pobres, que não é o caso dos que questionam o piso, como Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Ceará e Mato Grosso do Sul.

“Quando debatemos a criação do piso, esperamos uma resistência do Norte e do Nordeste, porém a resistência vem do Sul e do Sudeste. Nem o matemático Osvald de Souza ia conseguir prever que a resistência viria dos estados que mais são beneficiados pela arrecadação de tributos no Brasil. Fizemos a conta levando em consideração os municípios e os estados mais pobres, não os mais ricos. Se o mais pobre pode pagar, é evidente que o mais rico também pode”, afirmou Haddad ao participar do lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Piso Salarial Nacional dos Professores na Comissão de Educação da Câmara.

Haddad adiantou que o Ministério Público Federal (MPF) já foi ouvido pelo Supremo a respeito da Ação Direta de Incostitucionalidade (Adin) movida pelos governadores e a sua posição foi favorável à lei do piso.

“A postura do Executivo Federal será de defender a constitucionalidade do piso. Já temos o apoio do MPF. O órgão já foi ouvido e orientou o trabalho do Supremo no sentido de negar a Adin. É um aliado fora do Executivo importante em favor do piso”, disse o ministro.

Haddad parabenizou a iniciativa do Congresso com a criação da frente e lembrou que o piso foi amplamente discutido, não deixando brecha para esse tipo de questionamento.

Movimentos sociais
Durante o lançamento da frente, o vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Milton Canuto, declarou apoio integral à ações da frente e disse que a instituição vai convocar todos os seus militantes na defesa da lei do piso.

“A frente aqui criada, sem cor partidária, representa o enfrentamento real que se travou no Congresso nos últimos três anos em favor dos trabalhadores em educação. A Adin dos governadores é um afronto a essa Casa e à sociedade brasileira. Esse tema foi amplamente discutido, e não há sustentabilidade nas alegações apresentadas”, afirmou.

Milton adiantou que haverá uma grande mobilização em Brasília no dia 3 de dezembro em favor do piso e de outras lutas.

A presidente da CUT-DF, Lúcia Reis, também participou do lançamento da frente e declarou apoio na luta em favor do piso. “O piso representa uma grande conquista para os profissionais da educação e que agora está ameaçada. Vamos juntar esforços com o Congresso para lutar na defesa do piso”, afirmou.

Fonte: Informes

Quando aparecerá, nas manchetes, a expressão "economias submergentes"? Afinal, é disso que se trata, né-não?!

Quando aparecerá, nas manchetes, a expressão "economias submergentes"? Afinal, é disso que se trata, né-não?!


Tudo vai ficando cada dia mais sem sentido, nesse conversê dito 'econômico', dos DES-jornalões brasileiros.

Por exemplo: o que significaria a expressão " países emergentes que se colocam"?! É pensar e ver: significa nada, zero.
Pra que "se coloquem", as coisas já tem de ter emergido completamente.

Então, para que algo ou alguém seja dito "emergente", só se estiver emergindo. Logo, se está emergindo, ainda não está "colocado" porra-nenhuma. Tampouco se pode dizer que seriam "emergentes", países, pessoas, bichos ou coisas que "entram no centro" [de seja o que for].

Outra coisa: chamar de "princípios prudenciais para a regulação do sistema financeiro" a coisa de que o mundo carece, também é erro. Pior: é golpe. É tão golpe quanto seria golpe declarar que bandidos torturadores degolam gente ou bandidos do tráfico queimam pessoas vivas... por falta de "princípios prudenciais". "Princípios prudenciais" sempre houve. Faltou sempre, mesmo, a prudência, ora essa!

Pelo mesmo raciocínio, também seria golpe declarar que seria preciso escrever "princípios prudenciais" para impedir que D. Danuza escreva asneiras, que D. Eliane escreva jornalismo paroquial, que William Waack pratique DES-jornalismo de fascistizar os telespectadores. Evidentemente o mundo não carece de "princípios prudenciais" para impedir essas práticas, todas fascinorosas, cada um de um tipo. Em todos esses casos só faltou, mesmo, a prudência democrática e de democratização.

Se se diz que se carece de "princípios prudenciais para regular o mercado financeiro", diz-se, de fato, que o que houve antes foi gestão imprudente, nos bancos que quebraram (nesses, com certeza; em outros, só esperando, pra ver).

Ora bolas! "Gestão temerária" é exatamente a mesma coisa que "gestão imprudente". E "gestão imprudente" é crime -- previsto no artigo 4º da Lei n 7.492/86 (popularmente conhecida como "Lei do Colarinho Branco") que dispõe sobre os crimes contra o sistema financeiro nacional, com pena de reclusão de 02 (dois) a 08 (oito) anos, e multa". Então, as tais 'instituições' que tenham de ser salvas, hoje, estão tendo de ser salvas, mesmo, é de serem condenadas (a multas) com condenação também dos gestores 'temerários', que praticam atos que são ditos "imprudentes", sem prudência. Isso, no Brasil -- onde nenhum banco quebrou. Mas isso, também, nos EUA e em todo o mundo, onde todo mundo tá quebrando, inclusive a GM.

Sendo as coisas como são, melhor fariam os 'analistas' econômicos, se começassem a descrever o mundo por categorias mais objetivamente significantes: temos hoje um mundo que vai bem, versus um mundo TOTALMENTE SUBMERGENTE.

Quem queira 'analisar' o mundo, hoje, terá de inventar para si (1) um modo novo de descrever-se para os novos tempos e (2) um modo novo de descrever o mundo velho.

Ontem, no programa do David Lettermann, o entrevistado foi Ted Turner, que é meio doido, mas é engraçado. Como é milionário engraçado e dono de rede de televisão, o cara pode dizer, na televisão, o que lhe venha à telha, sem risco.

E ele disse ontem, com todas as letras: "O mundo acabô. Tudo bem. Teremos de viver sem comprar, teremos de plantar pra comer (o que a América já fez, por exemplo, durante a II Guerra Mundial, e comemos e não morremos), teremos de costurar nossas roupas, teremos de tirar os filhos de escolas pelas quais não podemos pagar, muitos casais terão de voltar a morar em casa dos pais. Sobreviverão os pobres, os aposentados e os funcionários públicos, porque a economia será reduzida ao mínimo, mas não parará. E pobres, aposentados e funcionários públicos já aprenderam a viver com pouco e sem consumir.

Por mim, podemos meter na cadeia e jogar a chave no lixo tooooooooooooooooooodo o pessoal de Wall Street. Espero que sejam reduzidos à mendicância e passem a depender da saúde e da escola pública, mas concedo que isso não acontecerá. É pena, mas não acontecerá. Em compensação, elegemos Barack Obama, o qual só se salvará se tiver alguma idéia de gênio. E a guerra do Iraque e a guerra do Afeganistão terão de ser suspensas por falta de meios para mandar comida aos soldados. O mundo como o conhecemos, acabô. De fato, começou a acabar no 11/9. Quem viu, viu. Quem não viu, visse."

David Letterman -- que é inteligente e engraçado, tudo o que o Jô Soares (que copia o programa do David Letterman e, na cópia, mostra tooooooooooooooooooooooooooooooooooooooda a abissal diferença que o separa do original copiado) gostaria de ser, mas não é -- não riu. Ninguém riu, aliás. Só o Ted Turner que, esse, sim, riu. E eu, na minha poltrona de ler, também ri. Eu não ria há semanas. Ontem, ri. E assim vamos indo. LULA É MUITOS!

Por Caia Fittipaldi, comentando a matéria do Blog do Luis Nassif do dia 18/11/2008 - Os Emergentes se colocam

19 novembro 2008

Sobre as vaias....

Sobre as vaias....

da matéria abaixo do Gilson Caroni, segue aqui um comentário de um leitor postado na Carta Maior:

Nome: luiz claudio pinheiro
Comentário:

Gilson, com relação a uma possível vaia contra Lula no jogo com Portugal, tem uma coisa que possivelmente voce e o resto do país não sabem, mas tem sido um dos assuntos mais falados nestes ultimos dias aqui em Brasília. É que cerca de 50% dos ingressos estão sendo distribuídos pelo governador Arruda (DEM) a autoridades e funcionários dos tres poderes. "Esses convidados dão mais prestígio ao espetáculo do que os torcedores comuns, e seria constrangedor para o governador se eles tivessem que pagar ingresso", explicou com todas as letras, em entrevista às rádios, o secretário de Esportes daqui. Para o povão, o ingresso mais barato custa R$ 160. Isso mesmo, 160 pilas é o ingresso mais barato. A indignação da população brasiliense contra o que está acontecendo é grande. No estádio, só vai ter autoridade e gente com bastante cacife. Se houver vaia, é bom saber que tipo de gente está vaiando.

Ou seja, caso ocorra, já saberemos que tem dedo, mão, pé, do DEM, novamente.....


18 novembro 2008

O lapso de um jornalismo relapso

O lapso de um jornalismo relapso

Em um texto postado em seu blog, no dia 14 de novembro, Ricardo Noblat chamou o presidente do STF de "Gilmar Dantas". É bom lembrar que para Freud, esses desvios eram sintomas de um compromisso entre o intuito consciente da pessoa e o reprimido.

Gilson Caroni Filho

Este artigo foi originalmente escrito para o Observatório da Imprensa. Publicá-lo, com versão ampliada em Carta Maior, é uma forma de aumentar os espaços de discussão para os que ainda acreditam que um outro jornalismo é possível. Aqueles profissionais que recusam, na medida do impossível, qualquer prática jornalística que solicite desvios éticos, distorcendo a realidade e caluniando quem considera adversário político. Uma aposta difícil, mas irrecusável.

Quando a imprensa abre mão de ser uma instância de afirmação republicana – e é preocupante a freqüência com que isso vem ocorrendo diariamente – não comete apenas um grande desvio: deixa mesmo de ser imprensa para se tornar departamento de negócios diversos.

É sempre bom recordar o que disse Washington Novaes: "jornalismo não é profissão a ser exercida em nome próprio", mas por delegação da sociedade, a quem legitimamente pertence a informação. Em tempos de enganos nem sempre involuntários, um legítimo, de safra recente, deve ser examinado com humor e atenção. Apresenta-se como subtexto absurdo de intenções inconfessas.

O texto postado por Ricardo Noblat, sexta-feira, 14 de novembro, em seu blog supostamente jornalístico, nada mais é do que um ato falho, um desejo do inconsciente realizado através de um equívoco. É bom lembrar que para Freud, esses desvios eram sintomas de um compromisso entre o intuito consciente da pessoa e o reprimido. Se tivesse acesso ao que escrevem alguns jornalistas da grande imprensa nativa, vários conceitos psicanalíticos seriam revistos à luz da razão cínica que predomina nas redações.

Em poucas linhas, Noblat afirma que “o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Felix, já identificou o araponga da Agência Brasileira de Inteligência que grampeou a conversa travada por telefone entre o ministro Gilmar Dantas, presidente do Supremo Tribunal Federal, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Trata-se do mesmo araponga que entregou à revista VEJA a transcriação da conversa”.

Ao misturar o prenome do ministro com o sobrenome do banqueiro, o jornalista deu forma ao que os dicionários definem como simbiose: "associação entre dois seres vivos que vivem em comum". Um espécime que só existe no plano ideal da politização do Judiciário e da mídia partidarizada.

Importante destacar que, no mesmo dia, o jornalista postou um comentário com título sugestivo:” Uma nova vaia faria bem a Lula”, sugerindo hora e local: ”Seria bom para o excesso de auto-estima de Lula que ele fosse vaiado durante o jogo da próxima quarta-feira em Brasília entre a Seleção Brasileira e a Seleção de Portugal. A vaia que ele tomou no Maracanã na abertura dos Jogos Pan-Americanos já faz mais de um ano”.

É bom observar as angústias dos impolutos Catões da mídia e compreender as angústias que os afligem. Afinal, a crise econômica ainda não chegou com a intensidade por eles desejada. E o noticiário já dá mostras de qual será sua tônica nos próximos meses: a desconstrução simbólica de Lula, se possível com “argumentos” para torná-lo inelegível a partir de 2010. Relatos tão fidedignos quanto a “transcriação” de fatos e fitas. Insondáveis são os motivos que levam ao surgimento de neologismos tão expressivos.

Repito o que escrevi em artigo escrito recentemente publicado. O que permite tamanha desenvoltura na desfaçatez é a conjunção dos bem-intencionados que nada percebem com a esperteza dos bem selecionados peixinhos do "aquário".

É interessante a cadeia alimentar do campo jornalístico. Da labuta dos peixes de mercado, os ornados e pomposos extraem os nutrientes para os interesses dos peixões associados em empreendimentos políticos e econômicos. Qualquer advertência crítica à perfeição desse "ecossistema" soará como grito paranóico. Mas a leitura atenta não pode ceder aos reclamos do senso comum das redações.

Afinal, é lá que está sendo concebido o bloco de poder sonhado pela direita nativa: aquele tem no comando o “Gilmar Dantas” do blogueiro. É dura a disputa para saber quem ficaria como porta-voz da presidência. Mas pelas afinidades político-estilísticas, qualquer escolha será aplaudida pela “bancada dos analistas confiáveis”. Distintos senhores e distintas senhoras, espalhados nos mais diversos veículos, fazem desse sonho profissão de fé.

P.S: Quando esse artigo estava pronto, Ricardo Noblat, alertado por seus leitores, revisou o texto. Ou seria melhor falarmos em retificação de ato falho? Mas, como seguro morreu de velho, já havíamos feito um “screeenshot”



Fonte: Carta maior

Juiz deveria ser impedido.....

Juiz deveria ser impedido....

Acredito eu que este juiz deveria ser impedido de julgar qualquer ação em relação a PF ou mesmo a ABIN, uma vez que ele estava envolvido em uma operação da PF. Mas como o gm o liberou..... ficamos assim.

Governo recorre contra veto de juiz à Abin

O governo decidiu recorrer da decisão da Justiça de São Paulo, que proibiu oficiais da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de acompanhar a perícia que a Polícia Federal fará nos computadores, celulares e outros equipamentos apreendidos há duas semanas no Centro de Operações da Abin no Rio, na casa de dois funcionários da agência e no apartamento do delegado Protógenes Queiroz. Todo esse material será analisado na tentativa de identificar os responsáveis pelo vazamento de informações da Operação Satiagraha.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Jorge Armando Félix, pediram formalmente que a Advocacia-Geral da União (AGU) recorra da decisão do juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Em nota divulgada pelo Ministério da Justiça, os três pedem que oficiais da Abin "devidamente credenciados" possam acompanhar as perícias. No documento, reafirmam a parceria entre Abin e PF, que marcou a Satiagraha. "A Abin e a Polícia Federal reiteram suas relações de colaboração, com as devidas competências, visando inclusive a estreitá-las, e confiam plenamente na isenção tanto das autoridades do inquérito como do Ministério Público Federal e da Justiça", diz a nota.

O veto à participação da Abin na análise técnica, que é de responsabilidade de peritos da PF, foi decretado por Mazloum na semana passada. Em seu despacho, o juiz diz não admitir ingerências externas e políticas na investigação da PF.

Fonte: Estadinho...inho...inho...

Recorrer ao stf.....

Recorrer ao stf.....

Juiz do caso Dantas deve permanecer

TRE (tribunal Regional Federal) da 3ª Região decidiu manter o juiz federal Fausto de Sanctis como magistrado responsável pela ação penal e pelos inquéritos relativos a acusações contra o banqueiro Daniel Dantas de crimes de corrupção e delitos financeiros. Por dois votos a um, a decisão contrariou o pedido de afastamento do juiz feito pelos defensores de Dantas. Os advogados alegaram que de Sanctis estava alinhado á Policia Federal e ao Ministério Público para condena-lo (Essa argumentação eu juro que não entendi.....os advogados queriam que o Juiz estivesse alinhado ao DD???) . A defesa disse que recorrerá ao Superior Tribunal de Justiça.(E agora, o que fará o nosso stf minusculo com o gm mais minusculo ainda????).

Fonte: Folha é claro....

Se isto ocorrer, e o stf afastar o juiz, sinceramente não sei mais o que esperar do judiciário. Jamais acreditarei novamente na justiça. E pior.....aguardem..... pois pode por exemplo com toda esta manobra o processo cair nas mãos daquele juiz....aquele juiz que foi pego na operação Anaconda, o Ali Mazloum e que teve o agraciamento do gm minusculo.

17 novembro 2008

PSDB - Em nossos governos NÃO...... afinal somos transparentes!

PSDB - Em nossos governos NÃO...... afinal somos transparentes!





PT pede CPI da Operação Parasitas e da CDHU. Outras 5 comissões continuam paradas

A Bancada do PT divulgou, na última semana (entre 10 e 14/11), que está recolhendo assinaturas entre os deputados da Assembléia Legislativa para protocolar dois pedidos de instalação de CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) com objetivo de investigar denúncias de fraudes e superfaturamentos em hospitais estaduais e na Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU).


"É dever constitucional dos deputados fiscalizar o Executivo e, diante das denúncias de desvios de recursos públicos divulgados pela imprensa nas últimas semanas, a Bancada do PT quer a investigação e a apuração de todos os fatos", afirma o líder petista, Roberto Felício.

Investigação conduzida pela Polícia Civil, intitulada Operação Parasitas, levou à prisão cinco empresários acusados de pertencer a uma quadrilha responsável por fraudes em centenas de licitações nos principais hospitais públicos do Estado, entre eles Dante Pazzanese, Pérola Byington e Ipiranga. Estima-se que o esquema tenha desviado R$ 100 milhões nos últimos dois anos.

As notícias apontam que os empresários teriam corrompido pregoeiros, diretores de enfermagem e de almoxarifado responsáveis pela compra de medicamentos e materiais por meio de pregão eletrônico. "Mais grave ainda, as empresas entregavam produtos de má qualidade, colocando em risco a saúde dos pacientes", ressaltou o deputado Felício.

Irregularidades na CDHU

O outro pedido de CPI da Bancada do PT quer apurar as denúncias de superfaturamento e fraude em contratos celebrados entre a CDHU e as empresas Power (ligada à Tejofran) e Gocil, prestadoras de serviços de vigilância em obras e terrenos da companhia. O desvio apontado soma R$ 38 milhões. Reportagem da Folha de S. Paulo apontou que o preço pago pelo CDHU às empresas, por homem/hora (R$ 8,33), estava muito acima da média à época no mercado (R$ 4,12).

Os contratos foram celebrados de 1996 a 1999 e os primeiros levantamentos promovidos pelo Ministério Público dão conta de que Mário Covas Neto, o “Zuzinha”, teria atuado como lobista em favor das empresas Power e Gocil. Antonio Dias Felipe, dono da Power, é padrinho de casamento de “Zuzinha”.

CPIs instaladas continuam paradas na Assembléia

Dia 9 de novembro completou-se dois meses que cinco novas CPIs foram oficialmente instaladas na Assembléia Legislativa e até agora só aconteceu a reunião de instalação, mas nem sequer foram eleitos os seus presidentes. Nas atas da reunião constam a mesma decisão: “Pelo Presidente da reunião (de instalação), com a anuência de todos os presentes, foi acatada a solicitação de adiamento para uma data a ser oportunamente agendada.”

As CPIs têm prazo de 120 dias para conclusão dos seus trabalhos. No caso dessas cinco CPIs, os deputados paulistas terão apenas 60 dias para exercerem uma das formas mais importantes de sua função fiscalizadora, que tem até poderes de investigação próprios das autoridades judiciais.

As cinco CPIs instaladas

1. Santas Casas - CPI com a finalidade de "investigar denúncias sobre a situação econômico-financeira das Santas Casas do Estado de São Paulo"
2. Operadoras de seguro – com a finalidade de "investigar e apurar práticas irregulares das operadoras de seguro"
3. Febre aftosa - com a finalidade de "apurar a forma como o Governo Federal tem repassado os recursos destinados à Defesa Animal e Vegetal para o Estado de São Paulo, principalmente no sentido de combate à febre aftosa"
4. Direitos autorais - com a finalidade de "investigar possíveis irregularidades praticadas pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição - ECAD, referentes ao eventual abuso bem como à falta de critérios na cobrança de direitos autorais",
5. Contaminações ambientais - com a finalidade de "investigar denúncias sobre contaminações ambientais"

Fonte: De Olho nos Deputados

Comentário: Faltam também a abertura das CPIs da Alstom, do Buraco do Metro..... e não esquecer do Serra na participação das Sanguessugas.


16 novembro 2008

Ponto de Vista

Ponto de Vista

Por Mauro Santayana

Assaltantes do povo

Os bancos são úteis para os depósitos e transferências, mas os benefícios trazidos nestas atividades não são tão grandes a ponto de compensar os males que produzem.
O presidente Juscelino Kubitschek rompeu com o Fundo Monetário Internacional há 50 anos. Muitos o acusaram de irresponsabilidade, alegando que o país quebraria. O Brasil não quebrou, e deu o grande salto, com a Petrobras, a construção de Brasília, as rodovias e as hidrelétricas. O reatamento com o Fundo, depois, deu-se em outro nível: mesmo os imperialistas sabem respeitar os que se fazem respeitar.
Ao contrário de Juscelino, o governo do Sr. Fernando Henrique Cardoso foi o mais submisso de todos os republicanos. Muitos observadores – este jornalista entre eles – mostraram que o Consenso de Washington consolidaria o assalto do Estado pelos banqueiros. O Brasil era o país perfeito para resistir ao projeto de Wall Street: suas leis não permitiam a pirataria financeira nem empréstimos privilegiados a empresas estrangeiras e defendiam a empresa brasileira, o sistema bancário, o subsolo, a água, a floresta e a navegação de cabotagem. O país tinha condições de dizer “não”. Mas o governo preferiu abrir todas as cancelas para os predadores. Fernando Henrique fez o Brasil agachar – e foi preciso eleger Lula para que voltasse a se levantar.
Estava claro, para quem se dispusesse a pensar um pouco, que a liberdade para o mercado financeiro, sedento por lucros cada vez maiores, levaria à recessão – mas grande parte dos meios de comunicação, azeitados pelos donos do dinheiro, disseram o contrário: que iríamos nos equiparar ao Primeiro Mundo em poucos meses. Ficamos expostos e enfrentamos várias crises financeiras naquele governo. Banqueiros de Wall Street, agindo em tempo real, organizaram o sistema criminoso mais sofisticado do mundo. Asfixiaram países inteiros, criando crises periódicas a fim de ganhar bilhões. Como a cobiça é sem limites, passaram a fazer o mesmo em seu próprio país.
“Os bancos são úteis para os depósitos e transferências, mas não vemos que os benefícios trazidos nestas atividades sejam tão grandes a ponto de compensar os males que produzem na artificiosa fundação da desigualdade da riqueza e, a partir disso, da igualmente manipulada desigualdade do poder. Se o presente sistema expandir-se e perpetuar-se, a grande massa do povo trabalhador pode perder toda esperança de adquirir qualquer propriedade.” Essa foi a conclusão da comissão de cidadãos de Filadélfia que, em 1829, examinou o comportamento dos banqueiros da Pensilvânia. Dela faziam parte empresários, advogados e dois dirigentes sindicais, William English e James Ronaldson.
Iniciava-se o governo do general Andrew Jackson, o primeiro presidente norte-americano que optaria pelos pobres contra os ricos e pelos agricultores e pequenos industriais contra os banqueiros. Jackson era de família pobre de imigrantes da Irlanda e não chegou a conhecer o pai. Adolescente, participou da guerra pela independência, e foi no exército que ascendeu socialmente. Chegara à Presidência contra quase todos. Os ricos não gostavam dele, os intelectuais o desprezavam, os políticos o viam como um brega. Autodidata, seu grande inimigo, John Quincy Adams, dizia que Jackson tinha dificuldades de soletrar o próprio nome. “Mas o povo gostava dele”, diria Roosevelt, no século seguinte.
E com razão: Jackson enfrentou banqueiros em favor do povo e se reelegeu. Houve uma grande crise bancária, mas os Estados Unidos saíram dela fortalecidos. Jackson deixou que os banqueiros quebrassem – e de sua quebra surgiu um sistema mais sadio. Esse sistema se abastardou com a criação do Banco Central dos Estados Unidos, em 1913. “Com a criação do FED (Sistema de Reserva Federal, o Banco Central deles), o sistema democrático norte-americano encontrou seus limites”, escreveu o analista William Greider, no grande livro sobre o banco (The Secrets of the Temple). Os banqueiros substituíram o povo para constituir os governos.
O desprezo dos arrogantes ao presidente Lula – que foi o primeiro a receber o importante Prêmio Quixote, na Espanha – faz lembrar a história do velho Jackson.

15 novembro 2008

Quem é mesmo Eliane Catanhêde????

Quem é mesmo Eliane Catanhêde?????

Abaixo duas matérias recebidas por email e comentadas (melhor dizendo.....rebatidas) pela Caia Fittipaldi.

Dia 13/11/2008

[Vila Vudu -- Barracão abajo y a la izquierda]: " "Gato", "lebre" e papim fraco, hoje, da D. Eliane lana caprina Cantenhede"


Sobre: ELIANE CANTANHÊDE, "Gato por lebre", Folha de S.Paulo, 13/11/2008 (para assinantes, aqui)

Mais "Gato", mais "lebre" e mais papim fraco, hoje, da D. Eliane lana caprina Cantenhede.

Dona Eliane, heil! meu Gato Filósofo anda de saco muuuuuuuuuuuuuuuuuito cheio, desde a eleição daquele [cito:] "Boneco inflável solteiro feliz e fascista". Diz ele que foi D+. Foi mesmo. Melhor o Jânio, que, pelo menos, desinfetava cadeira de sociólogo tucano-pefelê-uspeano.

Disse também que "o DES-jornalismo brasileiro faz vergonha". E que "seria vergonha até prôs DES-jornalistas paulistas (se tivessem vergonha na cara), eles terem ajudado a eleger aquele "Boneco inflável [etc.] fascista".

O Gato nunca aprovou os casaquinhos curtos de D. Marta ("casaquinho curto só fica elegante na Audrey Hepburn" -- o que, me disse o Gato --, "é típica opinião-de-Danuza, mas eu [o Gato] uso essa opinião-de-Danuza pra poder pronunciar seu santo nome: Audrey Hepburn". O Gato é looooooooooooko pela Audrey Hepburn.

Mas "não aprovar" é uma coisa. "Odiar" é outra. E o Gato ODIOU o PT ter escondido o Aldo Rebelo, o qual, Aldo Rebelo, diz o Gato, "melhor, impossível". O Gato também é louco pelo Aldo Rebelo (como eu, aliás, também sou). O Gato é Lula. LULA É MUITOS.

O Gato, além do mais que exige de mim, e não é pouco, tem exigido que eu use páginas de livro, pra forrar-lhe a caixinha, porque "est modus in rebus" e "jornal paulista... nem pra forrar caixinhas de coco-de-gato".

Quando as coisas melhoram, importo areia do Maranhão, para a caixinha do Gato. Mas, quando não dá, uso páginas de CARDOSO, Fernando Henrique (1998) O presidente segundo o sociólogo, SP: Editora Companhia das Letras.

O Gato mandou-me arrancar páginas do fim para o começo do livro, "de modo a eu [ele!] poder defecar, ao mesmo tempo, tanto no presidente segundo o sociólogo quanto, também, sobre o sociólogo segundo o presidente." São coisas do Gato e eu não resisto; só rasgo o livro, relaxo e gozo.

O Gato ganhou charutos cubanos (Romeo y Julieta by Habanos SA), de uma cubana-aí com quem ele tem conversado muito. E agora, está lendo "Bartleby", de Melville (a senhora pode ler, de grátis, em inglês, aqui).

O Gato diz que só em "Bartleby by Melville" se pode aprender sobre a verdadeira história de Wall Street, no nascedouro, o que explica o caso de Wall Street no morredouro. O Gato diz que acha que Bartleby é a grana nua-e-crua. Então, quando faz falar a grana-nua-e-crua, Melville a decifra, kenén decifrou o homem, o mar, a baleia e a D. Eliane. (O Gato sempre ri, quando diz isso.)

Hoje, quando li para o Gato a sua coluna -- e atrevi-me a comentar: "Gato! Você hoje foi citado nominalmente por D. Eliane! Tás ficano importante, sô!" -- o Gato disse "Não sou o Gato. Sou só a risada do Gato [e baforadas e baforadas de Romeo y Julieta, na minha cara & laptop]."

E continuou, o Gato Filósofo: "Quando D. Eliane mete-se a mentir que sabe quem seria "direita" e quem seria "esquerda"... é preciso perguntar: "Quem é "Eliane Cantanhede"? É casada? É solteira? É inflável? Prefere esquerda ou direita? Prefere em cima ou em baixo? Direito ou torto? Que lebre? Que direita? Que esquerda? Que patrão? Que jornalismo? Não tem mágoas, a D. Eliane? Não? É feliz? O quanto mente? Quem lhe paga o supermercado e as certezas vazias?

D. Eliane, hoje, dá-se importância que não tem. Faz-se passar pelo que não é. Fala do que não sabe. Mete-se a besta. DES-jornalismo de burrificar os eleitores... pago com a grana dos eleitores-consumidores assim burrificados, diariamente, por D. Eliane. Até quando prosseguirá o círculo DES-virtuoso, a arapuca-de-pegar-otários, que é o DES-jornalismo de D.Eliane?!"

Para concluir, demiúrgico & baforadas de Romeu y Julieta by Habanos SA, o Gato Filósofo: "quanto mais é fraco o conteúdo do pensamento, mais o pensador ganha destaque, mais o sujeito de enunciação dá-se importância, em relação aos enunciados vazios". "É Deleuze. Mande pra ela a referência completa. Procure no meu laptop. Que vá se catá, essa D. Eliana. Lana caprina e assalto diário ao leitor-consumidor. Só DES-jornalismo, no DES-colunismo dessa senhora."

Mission accomplished: Gilles Deleuze, 1977, "A propos des nouveaux philosophes et d’un problème plus général", entrevista publicada na revista Minuit, suplemento do n°24, maio 1977, e reproduzida em Deux régimes de fous, p. 127ss." Pode ser lida, em francês, aqui, posta lá em outubro de 2008, mês passado).

ELIANE CANTANHÊDE, "Gato por lebre", Folha de S.Paulo, 13/11/2008

BRASÍLIA - Numa solenidade para assinatura de contratos do PAC no Planalto, em 24 de junho, com Lula e Dilma Rousseff, dois aliados do governo foram destacados para falar em nome dos 27 governadores e dos milhares de prefeitos do país: o governador da Bahia, Jaques Wagner, do PT, e o prefeito de Manaus, Serafim Corrêa, do PSB.

Quatro meses depois, foram encerradas as eleições municipais, nas quais os dois grandes vitoriosos foram os governadores e os prefeitos candidatos à reeleição. Mas Jaques e Serafim andaram na contramão.

Jaques perdeu em Salvador, e Serafim foi o único candidato à reeleição nas capitais a dar com os burros n'água. Não foi por acaso. Na Bahia, Jaques vinha de uma espetacular e inesperada vitória para o governo em 2006 e se sentiu forte o suficiente para patrocinar um candidato próprio do PT contra o prefeito João Henrique, do PMDB. Trombou de frente com o trator Geddel Vieira Lima e perdeu.

Em Manaus, o PT e o PC do B passaram três anos aboletados na prefeitura, mas na eleição abandonaram o prefeito no sereno. O PT lançou um nome próprio, e o PC do B apoiou o candidato do governador Eduardo Braga. Os dois perderam já no primeiro turno e enfraqueceram Serafim para o segundo. Isolaram Serafim, o aliado, e deram a vitória a Amazonino Mendes (PTB), o verdadeiro adversário.

Cumpre-se assim o que Zé Dirceu diz e tenta curar há muitos anos: a arrogância petista de considerar aliança o que é a favor dele, não o que é a favor do outro. E isso deixa mágoas, carimbos e muitas vezes, como nos casos de Salvador e de Manaus, doídas derrotas.

A mágoa não é só contra o PT, mas contra o próprio Lula, que lavou as mãos, tirou foto com os adversários e ajudou a empurrar Serafim para o precipício. E também não é só de Serafim, mas do PSB -um dos partidos mais afinados com o governo nessa base aliada que é um saco de gatos, e de gatos direitistas.


Dia 14/11/2008

[Vila Vudu - Barracão Georges Soros]: "O pânico dos Serras & Aécios... e as cambalhotas de D. Eliane"

O pânico dos Serras & Aécios… e as cambalhotas de D. Eliane

Sobre: ELIANE CANTANHÊDE, 14/11/2008, "Pânico de resultados", Folha de S.Paulo, p.2 e aqui [e adiante, para não assinantes]

Muito diferente do que D. Eliane Lana Caprina Cantanhêde tenta inventar hoje, não há "pânico de resultados" no Brasil.

Atenção: Vai tudo bem, no Brasil. Estamos na luta e na luta continuamos, nós, o governo Lula.

"Pânico", no Brasil, só o pânico dos Serras & Aécios (e da D. Eliane).


Ontem, no "Jornal da Globo", Sardemberg 'explicou' – melhor: DES-explicou! – aos infelizes brasileiros que confiem no fascinoroso William Waack e no próprio Sardemberg para 'informar-se' sobre o mundo, que haveria, no mundo, uma "crise de confiança".

Disse aproximadamente o seguinte: "As notícias são cada vez piores, as pessoas começam a ter medo de não conseguir pagar as contas e param de comprar. Se param de comprar, as empresas param de vender. Se as empresas param de vender, tudo pára. Então... é preciso ter paciência, até que a confiança volte."

Verdade. Até aí não mentiram, nem o Sardemberg nem o fascinoroso William Waack: é preciso ter paciência e esperar "que a confiança volte". Mas, até aí, não há conclusão, no DES-raciocínio DES-jornalístico desses fascinorosos DES-jornalistas do "Jornal da Globo".

Evidentemente, fiquei esperando pela única conclusão racional desse DES-raciocínio dito 'jornalístico': para que as coisas comecem a melhorar, é preciso esperar, então, que as notícias melhorem, porque melhores notícias gerarão a tal de 'confiança'... de que tudo depende, parece, na opinião não-dita dos Sardembergs.

Contudo... dado que, por hipótese da teoria do 'jornalismo', as notícias não melhorarão enquanto não surjam melhores 'fatos'... que não surgirão enquanto a confiança não voltar... taí, na cara, a arapuca dita 'jornalística', de dentes arreganhados pra comer telespectadores otários. A isso, no "Jornal da Globo", chama-se "jornal", "jornalismo" e "análise". Isso é o DES-jornalismo que desgraça o Brasil-2008.

E é assim, pois, que a porca torce o rabo e os papéis podres e DES-jornalistas e DES-jornalismo igualmente podres torcem as idéias de quem espere, da tal de 'mídia brasileira', algum fato ou (que fosse!) alguma "análise".

A pergunta jornalística necessária, que nenhum "Jornal da Globo" jamais faz é: "E em quem, ou em o quê 'confiavam' (i) os bancos que inventaram, venderam e compraram papéis podres e, depois, de repente, já não encontraram otários a quem impingir os mesmos papéis podres; (2) os desgraçados clientes dos bancos que tomaram empréstimos que jamais conseguiriam pagar; e (3) o DES-jornalismo que, sustentado também pelos mesmos bancos-anunciantes, podiam noticiar qualquer 'fato'... menos o único fato importante, a saber, que os bancos estavam inventando, vendendo e comprando papéis podres?!"

Dia desses, no programa "O'Reilly Factor", no canal Fox (que são programa, canal e O'Reilly muuuuuuuuuuuito 'conservadores', mas oferecem jornalismo infinitamente melhor que o DES-jornalismo que desgraça o Brasil-2008), Bill O'Reilly dizia, com todas as letras: "Os papéis podres podiam ser podres o quanto fossem – e já eram podres desde o início da farra –, porque o banco que inventava um papel podre imediatamente o vendia a outro banco e, assim, gerava juros para si. E enquanto houve bancos interessados em comprar papel podre, todos continuaram a inventar papéis podres, porque o papel podre era considerado 'bom negócio' porque gerava juros. E a farra prosseguiu assim, enganando todos todo o tempo. A América foi destruída pelos bancos que quebraram e por muitos americanos que tomaram empréstimos que sabiam que não conseguiriam pagar, a menos que todos os norte-americanos, ao mesmo tempo, ganhassem o Sweepstake... o que muitos jornalistas prometiam que todos ganhariam ao mesmo tempo.

Papéis podres são empréstimos que não poderiam nem ter sido pedidos nem ter sido concedidos. Salvação, se alguma houvesse, estaria exatamente no que a imprensa NÃO DISSE aos norte-americanos: não sonhe com casa própria, não acredite em 'novos produtos' que seu banco lhe ofereça, devolva o segundo cartão de crédito, não re-hipoteque sua casa, compre o mínimo indispensável para viver. Não compre. Encolha-se em casa e reze pelo fim da guerra do Afeganistão e do Iraque."

Semana passada, na New York Review of Books, George Soros escreveu que a crise nasceu de alguns grandes bancos terem quebrado "uma promessa implícita de que os depósitos naqueles seus fundos seriam totalmente garantidos e líquidos" (SOROS, George, "The Crisis & What to Do About It", The New York Review of Books, vol. 55, n. 19, December 4, 2008, na internet, aqui, em inglês)

Tudo isso, de muito melhor jornalismo, vem-me agora à cabeça, lendo o bobajol diário de D. Eliane Lana Caprina Cantanhêde, nessa fascinorosa Folha de S.Paulo.

Hoje, D. Eliane inventa que estaria havendo "pânico de resultados"... 'porque', escreve D. Eliane, "A crise financeira deu uma cambalhota e virou econômica". Lana capriníssima, e só, como sempre, nesse fascinoroso DES-jornalismo brasileiro, que desgraça o Brasil-2008.

E é total escândalo, se se pensa que esse DES-jornalismo, de 'explicação' por cambalhotas, de D. Eliane, é impingido como "comentário jornalístico" a leitores-consumidores, que pagam para ler a Folha de S.Paulo.

A crise do jornalismo no Brasil é tão absoluta e total, que chegamos àquela situação em que a discussão de democratização tornou-se quase impossível: tudo é 'explicado' por cambalhotas e cambalhotas de Danuzas, de Jabores, de Elianes, de Doras Kramers. A razão democrática tirou férias, no DES-jornalismo que desgraça o Brasil-2008.

Qualquer DES-jornalista de DES-jornalão brasileiro escreve e publica o que bem entenda, tirado da própria cabeça (ou da cabeça do governador Serra!), sem dever qualquer justificativa, sequer lógica (pelo menos! Que fosse!).

O DES-jornalismo de engambelação do leitor-eleitor-consumidor reina sem encontrar oposição, no Brasil-2008.

Em São Paulo, reina, sempre, e só, o DES-jornalismo de propaganda eleitoral antecipada e ilegal pró tucanaria-pefelê-uspeana. E só.

Nenhum "embaixador José Viegas, publicado anteontem na Folha (pág. A3)", que D. Eliane Lana Caprina cantanhêde requenta hoje melhora qualquer coisa; de fato, até piora muito.

Absolutamente não se trata de buscar "alternativas ao capitalismo" – e que asneira mais completa se poderia temer encontrar impressa na Folha de S.Paulo, além dessa asneira, a que D. Eliane recorre hoje, e requenta, como se aí houvesse algum 'diagnóstico' (e cambalhotas, além de DES-jornalísticas, também DES-diplomáticas?!) O que é isso?!

Queriam o quê, o embaixador e D. Eliane Lana Caprina cantanhêde?! Trocar de mundo? Trocar de galáxia? Muito provavelmente, pelo que se vê, lhes bastaria, talvez, trocar de trocar de governo, trocar de presidente?! Eleger algum Serra? Algum Aécinho?! Que negócio é esse?!

A coluna de D. Eliane Lana Caprina cantanhêde, hoje, faz – ela FAZ! Ela não noticia coisa alguma! Ela FAZ! Ela inventa! – o que Georges Soros chama, muito bem, de "visão manipulativa dos fatos".

Luis Nassif resume bem o que é, para Soros, essa visão manipulativa dos fatos": "Digamos que o investidor quer que os preços caiam. Ele irá selecionar os fatos que favoreçam a sua aposta. Vale o mesmo, no jogo político." (Luis Nassif, "A batalha das expectativas", 14/11/2008, aqui. De SOROS, cit.).

Muito diferente do que D. Eliane Lana Caprina cantanhêde tenta inventar hoje, não há "pânico de resultados" no Brasil.

Vai tudo bem, no Brasil. Estamos na luta e na luta continuamos, nós, o governo Lula.

Fato é que beira o autismo fascista mais completo – e é modo muito perverso de praticar a sua "visão manipulativa dos fatos", D. Eliane pretender que haveria alguma homologia entre "o tucano José Serra", "o petista Guido Mantega" e "Aécio Neves", os quais, para D. Eliane, estariam 'unidos' em algum projeto 'de salvação' (e cambalhotas?).

D. Eliane INVENTA, hoje, em sua coluna, que esses três nomes seriam equivalentes, em poder. Isso é falso. É mentira. É movimento de propaganda eleitoral antecipada e ilegal, mais uma vez, na coluna de D. Eliane Lana Caprina cantanhêde.

Serra e Aécio são NADA. No máximo, são aspirantes à presidência da República, em eleições ainda muito distantes. Mandam, no máximo, em alguns DES-jornalistas e DES-jornalões alugados.

O ministro Guido Mantega é essencialmente diferente desses dois: Guido Mantega é ministro do nosso governo Lula.

D. Eliane insistir em marcar nosso ministro como "petista" e Serra como "tucano" e Aécio como... (como, aliás, o quê?! O que é Aécinho, além de um nome, uma ambição ou um slogan?!) é puro DES-jornalismo de engambelar leitor-eleitor-consumidor.

"Pânico de resultados" há hoje, no máximo, na cabeça dos Serras – e dos Lavaredas e dos GW da marketagem da tucanaria-pefelista-uspeana, cujos discursos D. Eliane reproduz, incansavelmente, nesse seu DES-jornalismo. Essa gentalha, sim, enfrenta hoje "pânico de resultados". Isso, precisamente, é o que D. Eliane gostaria de não ter escrito, mas ESCREVEU. Tudo é questão, só, de decifrar.

E fica então, aqui, bem decifradinho: quem morre de medo, de pânico, hoje, é a tucanaria-pefelê e todos os DES-colunistas do DES-jornalismo que desgraça o Brasil-2008! LULA É MUITOS! No pasarán!

Pânico de resultados

BRASÍLIA - A crise financeira deu uma cambalhota e virou econômica. Ou seja, saiu do admirável mundo dos papéis e chegou à vida real, onde empresas produzem e empregam, pessoas trabalham, compram, moram, comem -e votam.

Se os EUA, a Europa e o próprio Brasil investiram trilhões de dólares, euros e reais nos bancos, agora passam a investir no setor produtivo. O movimento é sincronizado.

Nos EUA, os US$ 700 bi arregimentados para o sistema financeiro vão ser desviados para estimular o crédito, e democratas e republicanos se aliam para salvar montadoras como a poderosa GM, que está mal das pernas. Ops! Das rodas.

No Brasil, o governo federal tinha suavizado o compulsório dos bancos, mas eles deram de ombros.

Agora a estratégia é outra. O Banco do Brasil destinou uns R$ 4 bi para as empresas, e a CEF abre uma linha de crédito de R$ 2 bi para arejar o comércio varejista. Em São Paulo, o tucano José Serra e o petista Guido Mantega se unem para jogar R$ 4 bi para financiar a compra de veículos em todo o país. E, em Minas, Aécio Neves colocou R$ 470 milhões à disposição das empresas, via empréstimos, e ampliou o prazo dos impostos.

O que se vê é um "pânico de resultados". Democratas, republicanos, tucanos e petistas "somam esforços" para que o mundo não caia no precipício. E isso remete ao artigo "A crise perversa", do embaixador José Viegas, publicado anteontem na Folha (pág. A3). Em resumo, ele diz que o "centro do capitalismo" suga recursos da "periferia do capitalismo" e depois exporta a crise para a periferia. Ou seja, para os emergentes, caso do Brasil.

Tudo isso será discutido amanhã na reunião do G20 (centros e periferias capitalistas), em Washington. Mas, como apontou Viegas, os que criaram a crise são os mesmos que vão sugerir e manejar os remendos. Como não há alternativa ao capitalismo, pai e mãe da "crise perversa", não há aos seus gênios.

14 novembro 2008

E se Obama fosse africano?

E se Obama fosse africano?

Por Mia Couto

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: " E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia

Homens unidos pelo fim da violência contra as mulheres

Homens unidos pelo fim da violência contra as mulheres


No último dia 31 de outubro, a secretaria especial de políticas para as mulheres (SPM) colocou no ar um site.
Esse site faz parte da campanha, nacional e também mundial, chamada "homensunidos pelo fim da violência contra a mulher".
A idéia é de que os rapazes acessem o site, deixem por lá as suas assinaturas e engrossem a lista de gente mobilizada em acabar com todas as formas de violência contras as mulheres.
Assim, estarão fazendo bonito e mostrando pro mundo que essa luta é uma luta de todas e todos, sem restrições.
Se você é homem, seja um cara legal, assine e divulgue.
Se você é mulher, divulgue para que um número maior de homens possa assinar.

(Clique na caneta abaixo e assine)

Caixinha de Primeiros Socorros....

Caixinha de Primeiros Socorros.....